Caetanear

A poética de Caetano é algo que me intriga, me fascina. Ele já bem disse:

 "Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso 

(E, sem dúvida, sobretudo o verso) 

É o que pode lançar mundos no mundo."

Os versos de Caetano lançam mundos no meu mundo.

Acho que poderia passar a vida escrevendo dissertações sobre o tema e, certamente, cada vez que finalizasse a retórica (a minha que é escrita), me considerando já uma especialista no Caetanês - e, consequentemente, na vida- despencaria do alto da arrogante montanha da sabedoria,  explodindo meu universo para total expansão.

Você pode odiar Caetano, considerá-lo insuportavelmente insuportável, lelé da cuca. Tudo bem, posso compreender. Mas é impossível suas vísceras não sacudirem terremoticamente ( neologismo ou pleonasmo?) após deparar-se com esse furacão. Te garanto que não será a mais leve escala, e, veja bem, tudo ótimo assim,  porque a vida só é boa nível 9 escala Richter!

Tudo bem, tudo bem, vou parar a rasgação de elogios que já está ficando cansativo. Mas, adianto-me na explicação. Amo as palavras, isso está bem esclarecido já. Eis então tudo explicado: por amar as palavras, cada vez em maior intensidade reparo nelas. E nessa obsessão, Caetano tornou-se uma das mais ricas fontes. Afinal, tão simples, tão belo e tantos significados abarcados quando ele entoa:

"A Bahia,
Estação primeira do Brasil
Ao ver a Mangueira nela inteira se viu,
Exibiu-se sua face verdadeira. "

E quando ele estabelece uma relação tão inexorável substantivo- adjetivo? Triste Bahia é  entranhadamente dessemelhante.

Ainda bem que ele está cada vez mais produtivo e esbanjando vivacidade aos 72 anos. Nós brasileiros precisamos dessa eterna dialética construção-desconstrução que ele nos propõe.  Afinal, ainda estamos a descobrir a que se destina existir. 

Ps: O Outro Lado da rua está no Facebook também =) 

Posted on September 11, 2014 .