Sobre Pensamentos e Glauber Rocha

Esse texto não será uma crítica de cinema. Esse texto pode ser que seja uma crônica, mas não sei ao certo. Não sei, porque é uma incógnita aonde as palavras me levarão. ( E, pensando bem, não é assim com todo texto?). O que eu sei é que ontem eu assisti o filme "A Idade da Terra" do Glauber Rocha e,  apesar de muito tomada pelo filme, meus pensamentos vieram me povoar para mais uma vez me confundir e destruir castelos de areia que construo conforme acho ( muito pretensiosamente, não?) que adquiro mais experiência, que piso em um terreno mais seguro. Mais experiência ou mais confusão?

De uma maneira bem Glauber de se filmar, ele falava sobre terceiro mundo, religiosidade, e milhões de outras coisas que ainda serão estudadas para complementar a análise da obra de Glauber- Glauber não é para esse tempo, Glauber é além, e, talvez por isso, tenha ido muito cedo, o mundo não daria conta de Glauber Rocha. Mas, teve uma coisa que me chamou a atenção: tirania. Tirania do branco? Tirania do negro? Tirania do ser humano?

A história do mundo é feita de guerra, isso, infelizmente já ficou claro. Gostamos de colocar nossa boca no trombone para exigir nossos direitos, mas quando trata-se dos direitos dos outros é muito mais confortável fechar os olhos. Eu acredito que ainda temos que evoluir muito como espécie para vivermos em democracia. E o que é a democracia sem a utopia? Será que existe mesmo a democracia para o ego? Porque é do ser humano querer o melhor para si e sua própria segurança, em seu estado primitivo. É do ser espiritual enxergar além. E é doloroso enxergar além, porque é desconfortável e é feio- nossos defeitos são muito feios.

Penso que se Glauber tivesse vivo hoje estaria filmando sobre os mesmos temas, com uma mudança de atores ou de lugares, talvez. Mas, no fundo, as discussões ainda são as mesmas. Os nacionalismos estão aqui para garantir os direitos nacionais, será? Mas e os direitos humanos realmente, como se soletra? Existe direitos humanos para o homem?

Glauber chega e pisa em meus castelos de areia e ainda vai embora sem me dar nenhuma explicação, nenhuma pista. Volte mais uma vez Glauber, porque eu preciso de seu empurrão para não me acomodar.

E viva o cinema brasileiro!
 

Posted on June 15, 2015 .