Vida, minha vida

  A gente vive esperando perfeição da vida, mas a realidade é que a vida não é perfeita e nunca vai ser. Na realidade, como já refleti sobre os relacionamentos anteriormente, é na imperfeição da vida que reside a alma de sua grandeza.       

 Sabe aquela história do lençol de elástico, que a gente ajeita de um lado e o outro, como mágica, se desajeita? Sim, assim somos nós em relação ao nosso infinito particular. Ou, pelo menos é como vejo. Viemos nessa vida para aprender e não podemos aprender – ou nos propor a aprender- a menos que sejamos desafiados. A menos que nosso lençol se desajeite e nos mostre o que precisa ser arrumado.

Cada vez mais fico em paz no sentido de que a vida é constante em sua inconstância: vou passar por momentos desafiadores, vou passar por tristezas e decepções e, com dedicação e abertura, em  seguida, serei capaz de  construir uma compreensão dentro de mim sobre o que realmente importa na vida.

 Nesse processo de amadurecimento, é muito fácil ser enganado pelo ego: pela viagem que você ainda não fez e o outro fez, pela demora que você não esperava para realizar seu objetivo profissional, ou pelo fato  do metrô parar por falta de energia e você durar uma hora a mais para chegar em casa. Como posso ser feliz assim? Mas, longe de querer soar piegas e com um olhar poético diante da vida: como não ser feliz respirando nesse mundo que me demonstra tanta beleza ? Que apesar de tanto, me mostra tanto amor? 

Quanto mais tempo você vive nesse planeta, mais você vai percebendo como coisas horríveis e maravilhosas podem acontecer com qualquer um a qualquer momento. E, o que você vai fazer em relação a isso? Parar de viver e sofrer a cada imprevisto? Ou receber de braços abertos e fazer o melhor proveito daquilo que o Universo te entrega?

Eu tenho escolhido acolher e ser feliz na medida possível da felicidade. Caio muitas vezes, mas, como é bom seguir em frente... <3

Posted on November 28, 2018 .

Hoje Deus falou comigo

Hoje Deus falou comigo. Hoje Deus utilizou algumas pessoas como canal para falar comigo. Vou tentar resumir um pouco, tentar deixar compreensível algo que pode ser um pouco abstrato para aqueles que não enxergam a vida com os meus olhos- e isso é normal, afinal, somos todos diferentes.

  Ao lado da agência onde trabalho, há um senhor que, ao que parece, recentemente passou a morar ali. Sempre que vejo esse senhor me pego pensando ( que é, também, o que sempre me pergunto quando esbarro em um morador de rua): como pode um ser humano morar na rua? Como é morar na rua? Como fica a sua dignidade e seu senso de Eu nesse contexto tão desumanizado?

Mas, por medo ou por outros motivos, eu nunca parei para falar com ele. Eu já fiz trabalhos sociais com moradores de rua, mas, confesso com um pouco de vergonha, por medo ( talvez também influenciada pela visão violenta que a mídia nos transmite todos os dias ) eu nunca paro sozinha para conversar com algum morador ou moradora. Mas, nessas situações, meu coração e meu pensamento sempre ficam com essas pessoas... 

Pois bem, seguindo para o supermercado com o objetivo de comprar um delicioso sanduíche para o almoço, eu e minha amiga  Gi fomos paradas por um hippie que estava vendendo sua arte para conseguir comer. Não tínhamos nenhuma moeda, mas desejamos um verdadeiro “boa sorte”, desejo que ele recebeu com muita alegria. 

Logo que entramos no supermercado, eu e Gi tivemos a ideia de comprar um sanduíche para ele. Já na fila, pensei: e se ele não estiver mais lá quando regressarmos? Foi assim que meu anjo da guarda, como acredito, respondeu: “se ele não estiver mais lá, você pode dar o sanduíche para o homem que você passa na frente todos os dias”.  

Quando saímos do supermercado, o hippie não estava mais lá ( seria ele também um anjo?) e, na hora, decidimos dar o sanduíche para o moço do lado da agência. Esse senhor, estava precisando desse sanduíche hoje e nos agradeceu com um “Deus abençoe".

Esse ato singelo foi um grão de areia do que ainda quero fazer pelas pessoas, do que posso fazer. Eu sei que posso fazer bem mais. E vou passar a minha vida lutando para ser melhor. Porque a gente precisa disso. Porque ninguém é verdadeiramente feliz sem compartilhar a felicidade e enxergá-la no outro.

Tenho refletido muito sobre o momento que estamos vivendo no Brasil. Lido muito, pesquisado, observado, opinado e ouvido opiniões. Ainda não cheguei à uma conclusão, até o momento, sobre a sociedade rachada que nos tornamos, mas eu tenho um aprendizado: se tem algo que sei, é que não podemos responsabilizar o outro pela mudança. Sim, é clichê, mas é a realidade: nós devemos ser a mudança. Há muitas formas de ajudar, fazer a diferença - começando pelo seu entorno- basta querer.

Posted on October 19, 2018 .

Oração

Conhecer mais a história da humanidade, do mundo,  me faz perceber o quão pequena eu sou. Afinal, são pouco mais de trinta anos no contexto de um vai e vem dessa casa ( por alguns chamada de Terra) que gira em torno de 2 milhões de anos. Melhor nem descobrir a representatividade dessa minha existência em relação ao resto da humanidade, né?

Ainda assim, perceber o meu real tamanho também me faz um pouco mais compassiva em relação às minhas atitudes – ou, pelo menos, assim deveria ser, risos. Percebo os erros ainda a cometer: por maior que seja o esforço para ser uma pessoa melhor, ainda serei reativa em alguns momentos, magoarei outras pessoas e me decepcionarei ao enxergar através do véu de ilusão particular.

Sinto que o principal objetivo dessa nossa passagem por aqui é a evolução. Mas, evolução mesmo, sabe? Não apenas em termos materiais. Aprender a ser menos egoísta, aprender a perdoar e pedir perdão, aprender a ser mais grata. Ter mais sabedoria. Aprender a não fugir do problema ao optar sempre pelo caminho mais fácil.

Duelos como pedras: inútil dizer como é difícil ser sempre sábio, deixar a raiva se dissipar, não querer magoar ninguém. Mas, em um segundo, tudo vai embora e penso que nada é tão difícil ou problemático quanto penso ser. As aparências realmente enganam ( quem assim deseja).

Tenho aprendido a perceber a vida com um olhar de reverência. O que significa para mim, em síntese, ser melhor a cada dia. Especialmente, e principalmente, nos relacionamentos: relacionamentos pessoais, relacionamentos profissionais, relacionamentos corriqueiros – aquele relacionamento forçado, por exemplo, com a pessoa que te empurra no metrô devido à uma reação ao meio.

Acho que nunca vai ser fácil, mas pior é sempre optar pela forma simplista. Pelo escasso: amor escasso, alegria escassa, gratidão escassa, aprendizado escasso.  Eu prefiro transbordar o mais valioso.

 

 

Posted on August 1, 2018 .

Vida, vida

Não consigo decidir se a vida é estranha ou maravilhosa. Parece um jogo: às vezes acho que a estranheza está ganhando, às vezes acho que a corda pende mais para o lado do maravilhoso. Duro cabo de guerra esse!

( Observação: só agora parei pra pensar no fato de uma brincadeira de criança ter um nome tão bélico. Palavras são signos realmente, que nos dizem muito sobre nossa sociedade e quem somos.)

 A estranheza reside no fato de que um dia não vamos existir mais e, o que é mais complicado ainda, as pessoas que amamos não vão existir mais. A dor se instala até mesmo quando tento escrever essas palavras, tamanha intensidade.

A vida é muito louca né? Morre gente nova, morre gente boa, morre gente que ama a vida. Morre gente que até ontem era viva, que até ontem se preocupava com um prazo do trabalho, ou com os conflitos demasiadamente humanos que todos passamos. Morre gente,  e que estranho é isso!

Mas, ainda assim, não consigo me decidir só por esse lado, olhar só por esse ângulo. Afinal, de que me serviriam todas as invertidas na prática de Yoga? E, pensando bem,  se sofremos antecipadamente  por algum dia não podermos vivenciar mais toda essa realidade, não é pelo fato de amarmos em demasia a vida? Ou por nos agarrarmos até o último suspiro na única certeza que temos?

É doloroso imaginar que um dia não mais poderei receber o abraço do amor da minha vida. Ou não mais apreciar um pôr do sol. Ou não poder conhecer  e me surpreender com lugares novos e sabores novos. Ou descobrir livros, filmes e músicas que me deixem sem fala. E eu poderia escrever livros e mais livros, teses e mais teses sobre tudo que amo na vida.

Analisando bem, pensando bem nessas palavras, acho que o que mais pesa  nessa equação ainda misteriosa é o lado maravilhoso da vida. Deve ser isso mesmo.  Só pode ser isso. Sem maiores divagações, em um primeiro momento, há uma solução, um resultado para toda essa equação: aproveitar de verdade tudo isso, toda essa vida que nos é dada de presente.

Posted on March 21, 2018 .

Alteridade

Acho que não deve ser muito segredo, mas vou relatar algo sobre minha alma , mais uma vez, por aqui: eu amo palavras. Sim, eu amo e tenho as minhas preferências. E minhas antipatias também, claro.

Confesso que nunca pesquisei muito sobre a relação entre escritores e determinadas palavras, mas, pelo que leio, pelo que sinto, dá para perceber que há sim uma leve preferência por algumas. Uma preferência que ajuda a nortear a construção do texto, isso é fato.

Pode ser até maior do que nós: às vezes não tem tanto sentido, às vezes nem percebemos, mas a tal palavra precisa compor a teia juntamente com todas as outras do texto. Preferimos umas, preterimos outras; e assim seguimos até nos deparar com novas paixões em forma de letras ( podem ser em formato cursivo ou de forma, isso tanto faz!).

Seguindo sem demoras para o prático, algumas palavras que amo:  essência, expansão e consciência. Algumas pelo significado, algumas pelo som, algumas pela beleza. Mas, pera: pela beleza? Ah, vai negar que indizível não é uma palavra linda? Vai negar que você não sente a sua alma elevar ao exaltar a palavra indizível? Aliás, alma é uma palavra pra lá de linda também, não é mesmo? Mas, pensando bem, talvez isso seja algo somente de Anna.

Tudo bem, esses quatro parágrafos serviram apenas para introduzir o  fato de que amo a palavra alteridade. Será  o som? Será o significado? Será por parecer uma palavra tão simples, mas que ao mesmo tempo é tão profunda? Alteridade: tão bonita, tão desafiadora, tão necessária. A vida em sociedade exige alteridade, por mais que em alguns momentos  - especialmente aqueles em que somos confrontados pela raiva ou pelo desconforto que nos proporciona o diferente – a gente queira esquecer isso.

Alteridade pode gerar tanto desconforto que até mesmo esse texto está me fazendo sentir isso. Estou aqui, escrevendo, mas talvez não querendo escrever, pensando em como falar mas não falar tanto, em como traduzir algo que muitas vezes nem experimentei o sabor.

Eu sou uma pessoa que, por tentar trabalhar muito o autoconhecimento, às vezes finjo que já estou lá na frente sabendo muita coisa sobre mim. Mas, no fundo no fundo, o melhor é não saber e sentir o meu universo expandir quando descubro algo novo sobre mim ou sobre o outro ( expansão <3 ).

Por exemplo, estou quase no fim do livro “A coragem de ser imperfeito” da Brené Brown -ps:  dá pra perceber que sou tão ansiosa que nem consigo terminar de ler o livro antes de organizar minhas reflexões sobre o tema - e posso dizer que meu universo reagiu em forte expansão ao entrar em contato com as palavras da Brené. A primeira expansão foi quando os conceitos que tinha sobre uma pesquisadora foram por água abaixo: como assim uma pesquisadora pode falar de uma maneira tão simples e profunda, quase espiritual, sobre temas tão não acadêmicos?

Veja bem, não tenho nada contra pesquisadores , aliás adoro pesquisadores, mas a contadora de histórias ( que é como ela gosta de se chamar) trouxe significados para temas como amor, conexão e confiança de uma forma que nunca fez tanto sentido. E, enquanto eu lia tudo, desse tudo que tocava muito meu coração, eu só pensava: como ela conseguiu isso??

Pois bem, para mim ela conseguiu. E ela me fez enxergar o lado do outro que não sou eu: pessoas de gênero masculino, policiais, líderes, mães e pais, adultos, e por aí vai. A verdade é que muitas vezes estamos tão presos a uma narrativa particular, na nossa forma aparentemente perfeita de entender tudo, que esquecemos que a nossa narrativa na maioria dos casos é falha. Porque toda história tem mais de um lado, às vezes até milhões de lado, quando estamos falando de países, etnias, etc.

Nunca é fácil sair da nossa visão limitada de mundo. Mas essa narrativa única não está funcionando, não é mesmo? Afinal, há guerras, relacionamentos que terminam com as partes sem o menor nível de comunicação, há brigas por políticas, e por aí vai. Será que estamos tão certos assim? Será que não vale a pena tentar uma nova abordagem, um novo ângulo.

Para mim, os Beatles são grandes revolucionários por nos trazerem (ou nos lembrarem) a mensagem de que tudo que precisamos é o amor. Um amor que envolve enxergar a mim, ao outro e o todo.

Posted on March 6, 2018 .

Status: em um processo para amar e ser livre

É preciso coragem para olhar o seu lado ruim. Afinal, adoramos ouvir e falar que somos pessoas amáveis, sinceras e altruístas, mas não é tão fácil assim admitir que somos igualmente pessoas inseguras, invejosas, controladoras e por aí vai. Não é fácil, mas: como é necessário!

Esse ano eu completo 3 anos de meditação e, não por acaso, 3 anos que eu comecei a levar o processo de autoconhecimento muito a sério. Levar a sério diga-se: pesquisando, lendo, meditando, utilizando ferramentas e, especialmente, refletindo muito sobre meus sentimentos, pensamentos e atitudes.

A pergunta que me faço sempre é: quem é essa Anna que eu quero ser ( ou sou na verdadeira essência) e quero doar ao mundo? Por mais clichê que isso possa soar, em tempos de crises sociais, políticas e econômicas é muito fácil culpar os outros pelo lado sombrio de tudo no mundo, - sim, isso é fácil e nos isenta de responsabilidade. Difícil é admitir que em alguma medida todas essas mazelas estão dentro de nós. Aliás, quem é esse outro senão alguém igualmente sedento por amor?

Não à toa missionários como Gandhi, Madre Teresa e, para mim especialmente, Jesus Cristo passaram por aqui, pela nossa casa. Eu acredito que você não precisa ser religioso para admirar Jesus, pois sua inteligência, simplicidade e humanidade, quando sentidas de perto, fazem muito sentido. E, ainda assim, é tão difícil caminhar seguindo esses passos sagrados.

Mas, tudo bem. Porque somos meros humanos e ainda temos muito para evoluir. Eu mesma, às vezes, me pego “descrente” por tudo que ainda tenho para integrar dentro de mim, tantas questões para lidar... mas, pera: perfeccionismo também é algo a ser trabalho, não é mesmo?

Há textos que demoram mais para sair, há textos que saem como a correnteza do rio, seguindo seu próprio fluxo e destino. Assim foi esse texto, assim foi ler “Amar e Ser livre” do Prem Baba. Ler “Amar e Ser livre” do Prem Baba foi seguir esse processo de cura. Aliás, eu acho Prem Baba tão iluminado que suas palavras têm um poder de cura muito forte – eu mesma experimentei diversos insights ao ler esse livro.

E, assim, vou seguindo meu próprio processo de evolução, pensando em como ser uma pessoa mais humana ( no melhor sentido do humano) para esse lugar que é minha casa, casa que tanto amo: o planeta Terra.

Posted on February 20, 2018 .

A Anna Essencialista

Fim de ano é sempre aquela coisa: promessas pra um lado, expectativas pra outro e, acima de tudo, quando o novo ano chega pra nos acolher, nossa alma é inundada pelo indizível sentimento de esperança. Eu, que adoro divagar sobre tudo, sempre me pego pensando o quanto é curioso 2018 ser diferente de 2017, sendo que o dia 1 de janeiro me parece igual ao dia 31 de dezembro. Vai saber!

Mas, ainda sim, não acho exatamente igual. Há o calendário, que também forma ciclos e que também acompanha as estações do ano ( e mesmo a nossa vida). Então, eu sei e sinto que chegou 2018 e, sem demagogia, o meu objetivo é ser uma pessoa a cada dia melhor, a cada dia mais em paz. Será esse o resultado dos trinta anos chegando? Ou a meditação que levo com tanta disciplina?

Talvez um, talvez outro, mas sei que gosto de caminhar com mais consciência. O mais engraçado de tudo isso é perceber o quanto a gente vai mudando: aquelas roupas que apesar de servirem ao nosso corpo já não servem mais a nossa alma, aqueles hábitos que não são mais tão legais assim, aquele jeito de ser que não combina mais, e mesmo aqueles sentimentos que não condizem com os nossos objetivos.

O que não combina mais, o que é supérfluo. Fechei 2017 e entrei 2018 lendo o livro “Essencialismo”, do Greg Mckeown. No começo, achei aquele conteúdo que lia mais do mesmo ( até refleti se minhas expectativas em relação ao livro não estavam altas demais), mas, depois, fui captando o vital e me transformando com a leitura.

A realidade é que essencialismo dialoga com tudo que venho buscando há um tempo, desde que comecei a minha emocionante jornada interior, a indescritível jornada em direção à minha essência. E, ufa: em um mundo de excessos é libertador pensar que não devemos “captar” tudo, mas somente o essencial.

O essencial: na vida, nas ações, na profissão, no mundo. Nos sentimentos. No amor. Por mais piegas que seja, eu sempre vou querer me apegar ao amor e, quando eu me distraio desse objetivo, é sempre bom ter pessoas, o universo ou meu anjo da guarda me recordando sobre o que é verdadeiramente essencial ( é sempre bom se equilibrar no essencial).

E é por isso que em 2018 eu desejo para todos nós o que é mais essencial nessa nossa existência!

Posted on January 4, 2018 .

O que deixei para trás

Quase 30 anos nas costas, e há uns dois anos e meio que levo a sério a pergunta: quem é a Anna? Mas, quem é a Anna de verdade mesmo? Quero dizer: a Anna parte bonita e a Anna parte não tão bonita assim.

Entre erros e acertos, sorrisos e lágrimas, ainda tenho um leve conflito quando penso na questão que o Caetano propôs e que nunca sai- nem nunca sairá- da minha cabeça: existirmos, a que será que se destina?

Eu ainda não tenho a resposta, mas acho que, no momento que parei de ir atrás desse desnudamento do universo e me contentei apenas com viver ( viver mesmo, quero dizer), deixei algumas coisas para trás, coisas que pesavam até demais a minha existência.

Isso significa que agora eu vivo mais leve . Não tão leve quanto gostaria, claro, quanto blogueira fitness, mas com aqueles quilinhos  a menos que já elevam meu bem viver.

E, o que deixei para trás? Bem, acho que não sei conscientemente tudo que deixei para trás, mas trago algumas suspeitas. Por exemplo: me importo menos com o que pensam de mim e tento julgar menos os outros. Também, afasto constantemente as preocupações inúteis que me desfocam da sensação do vento no presente, vento que tanto amo.

E, por que nos preocupamos tanto mesmo?

Comecei a não me importar tanto ( por mais que seja surreal o quanto ainda dói) com o fato de  não ser perfeita, ou nunca ter todas as mil esferas da minha vida em um estado de perfeição. Digo, estar satisfeita com meu corpo, meu trabalho, a relação comigo e com os outros, estar em todos os eventos badalados, com a quantidade de livros que eu deveria ler por mês em dia e por aí vai.

Eu parei também de tentar esconder sempre o que sinto, ou o que sinto pelas pessoas, achando que elas vão me achar louca por demonstrar tanta afeição sem um espaço considerável de intimidade. Não quero morrer amanhã e saber que eu não elogiei o suficiente ou dei carinho o suficiente quando eu senti que deveria.

Ah, muito importante: parei de me preocupar se os meus textos serão publicados com erros de português e, por isso, me tornar menos escritora que todos escritores e escritoras gênios que leio . Ah pelo amor né Anna? Você nunca vai ser Clarice Lispector, até pelo fato de você já ser Anna. Decidido, nem vou revisar esse ttexto! ( Ok, só algumas vezes). Mas, parei com isso mesmo.

Sinto que ainda tenho muito a dizer sobre esse assunto, mas me faltam palavras agora para traduzir este sentimento. Ah, eu que sou das palavras, quantas vezes me vejo sem palavras para aprisionar o que sinto...

Tudo bem, me contento em deixar meus sentimentos e pensamentos leves por aí, sem ter que construir uma palavra bonita para compensar isso, ou ser tão escritora quanto eu acho que deveria ser...

Posted on August 17, 2017 .

Eu te amo

É muito difícil você colocar em palavras algo que é indizível. Ou será difícil a questão de abrir seu coração? Afinal, é o seu mais íntimo, seu universo particular. Confesso que paro e penso tudo que eu tenho para dizer, mas não faço ideia de como fazer isso. Devo começar pelo começo de tudo? Pelo quanto somos potência? Pelo quanto eu me completo ao seu lado?

Talvez, esteja difícil, por esse ser o texto mais difícil da minha vida. É o texto que vai me acompanhar por toda a vida. Bom, vou tentar então: mesmo antes de você, tudo era só você. Quando eu te conheci foi tamanha a sincronicidade do universo que só posso supor que este universo fez sua dança para que pudéssemos estar juntos. Depois, tudo começou a fazer mais sentido, começou a ficar mais claro.

Você não sente? Aquele vento que hoje sopra mais forte, mas também mais doce. Aquela canção que toca mais alto, mas também mais fundo. Aquele sonho que se tornou realidade, mas sempre um sonho. Eu olho para você, eu penso em nós, e sei que o divino existe: está na nossa conexão que vai além de qualquer materialidade, está na simplicidade da rotina que nos faz mais felizes. Afinal, temos as canções só nossas, as piadas só nossas, os filmes só nossos. Todo um universo que é só nosso.

Hoje eu olho para trás e vejo que tudo nos trouxe até hoje, tudo está nos levando para os nossos sonhos e nosso futuro. Mas, o melhor de tudo: eu, você, nós e o infinito seguindo o mistério dos cosmos.

Posted on September 14, 2016 .

Atleta dos Sonhos

      Algo que amo na vida: conhecer o outro. Acredito que, qualquer que seja a circunstância deste outro, cada um tem algo valioso para nos ensinar. Dou o meu exemplo neste momento: mesmo sendo escritora e lendo compulsivamente, já pude aprender algumas palavras novas com os meus alunos do Projeto Eco5/ Aprender que têm muita dificuldade com a escrita e a leitura -  cidadãos que são semianalfabetos. Você já ouviu falar na palavra “ Gia”? Pois eu não fazia ideia do que seria, mas pude aprender: meu “aluno” me ensinou que gia é uma espécie de rã. Neste momento, eu compreendi quão pouco conhecimento eu tenho sobre o mundo natural. Também compreendi que posso passar a vida aprendendo coisas novas, ainda bem..

               Mas, após essa breve divagação, voltemos ao assunto: estava falando sobre o outro e o quanto aprendemos com este outro. Fato é que na Olimpíada do Rio eu aprendi muito com o outro. Com este outro atleta, tantas vezes despercebido por nós.

               E, com eles, eu aprendi: não deu certo hoje, mas pode dar amanhã. Mas, para dar amanhã, eu preciso perseguir o famoso mantra “ força, foco e fé”. Disciplina é essencial para alcançar grandes conquistas. É importante celebrar estas conquistas, mas, depois da celebração, foco novamente!

               Parece até meio clichê tudo isso, mas não poderia ser mais verdadeiro. Afinal, se você quer realizar grandes sonhos, você precisa ter padrão de atleta olímpico: não desistir, manter a concentração no objetivo, se superar constantemente. Cada vez fica mais claro para mim que quem tem sucesso no que deseja não é aquele sortudo, abençoado por Deus. Longe disso: é aquele que não desistiu diante dos obstáculos e todos os “nãos” que a vida apresentou, aquele que tem uma paixão incansável por aquilo que quer alcançar e está disposto a evoluir sempre. E, talvez mais importante do que chegar ao ouro final, é encarar a jornada e encarar da melhor maneira possível!

               Acho que no final disso tudo, as palavras vão perdendo o sentido e eu só tenho a agradecer. Obrigada atletas, por terem me ensinado e me emocionado tanto nestas últimas semanas!. E que venha a Paralimpíada do Rio para mais uma chuva de aprendizados =) 

Posted on August 22, 2016 .

Não escondo mais o sorriso

Você se levanta.  Não muito tarde, mas também não às costumeiras sete horas da manhã. Então, um ritual de preparação para o dia tem início: tomar banho, colocar a roupa escovar os dentes e segue. De repente:  você se lembra que não tem mais um lugar específico para ir todos os dias. Ao contrário: você não precisa ir a lugar algum, sua mesa de trabalho está bem na sua frente.

Mudar não é fácil; exige dor, resistência, adaptação e transformação. Quando a mudança envolve o trabalho, algo visceralmente entranhado à nossa personalidade, o contraste é mais gritante. Aí o choque acontece mesmo.

Demorou um tempo até que eu me acostumasse ao fato de que eu não teria que me locomover para lugar algum para trabalhar. Pela manhã, eu observava diversas pessoas saindo para exercer suas funções ( da minha casa, inclusive), enquanto eu não tinha tal necessidade. Aí, como uma boa história tem um bom conflito, chega o momento das dúvidas e desespero.

No começo, apesar de ter um trabalho que executar, ter projetos, ainda sim eu tinha a síndrome do “ não estou fazendo nada”. Apesar de todo o trabalho, apesar de perceber o quanto meu trabalho estava sendo mais produtivo e significativo para mim, eu ainda sim me sentia uma desocupada. Chega a ser inconsciente até. Sei que preciso bater um papo com o Doutor Freud para entender o que pega, mas o fato é que eu tenho uma eterna síndrome do DEU: distúrbio do eternamente útil ( sigla inventada por mim, obrigada). Não importa o quanto eu faça, não importam os trabalhos aos finais de semana. Nada disso é relevante quando me deparo com uma segunda-feira que, por acaso do destino, não haja algo ( ou muito) para se fazer. Uma inesgotável fonte de sofrimento e questionamentos.

A boa notícia ( para mim, pelo menos) é que hoje em dia eu já superei muito desta síndrome. Ou melhor: acho que já consegui descascar algumas camadas desta cebola que é o meu inconsciente e me livrar de algumas cascas podres. O bom nisso tudo é que, superado esse incômodo, eu comecei a olhar por um ângulo diferente e fazer algumas perguntas cruciais. Algumas destas perguntas passaram mais ou menos pelos seguintes caminhos: por que eu tenho que trabalhar loucamente para me sentir útil? Por que eu não posso ter momentos de prazer em uma segunda-feira e ficar tranquila com isso? Por que a moeda de valor é sempre quantitativa, não exatamente qualitativa?

Acho que é batata: assim que você faz uma mudança potente na sua vida, você começa a questionar o conceito corrente de felicidade e o que verdadeiramente te faz feliz. Comigo foi assim. Totalmente assim: até entrar em grupo de estudo sobre a felicidade eu entrei. E, graças a Deus eu fiz isso! Ou: que bom para mim!

Eu nem vou me dar ao trabalho de gastar linhas deste texto expondo sobre o quanto o que consideramos ser felicidade é na realidade um conceito imposto pela sociedade. Vou focar em algo mais prático: menos reclamação, mais ação.

Atualmente, neste maravilhoso grupo que citei, estamos estudando o livro“ Happier: learn the secrets to daily joy and lasting fulfillment” do psicólogo Tal Ben- Shahar, um alguém ( como tantos) que deveria ser mais lido e ouvido. Entre tantas preciosidades que o Tal apresenta neste livro ao seu sortudo leitor, me marcou um conceito que ele traz de “ rat racer”. Ele diz que este “rat racer”  seria um alguém que faz tudo por uma busca de suposta felicidade futura, inclusive prejudicar seu momento presente. E essa busca é uma busca incerta mesmo, sem a certeza da concretização da felicidade.

Entrando em contato com este conceito, comecei a me questionar sobre minhas crenças de sacrifício. Tal: só alcançarei os meus sonhos com muito esforço. Isso é óbvio e inquestionável, só atingimos metas, objetivos e sonhos com um mínimo de disciplina e foco. Mas, é só isso mesmo o tão falado e pouco praticado sentido da vida? Por que não, entre uma tarefa difícil e outra, aproveitar ao máximo uma noite com os amigos ( sim, eu fui ao Karaokê em uma segunda-feira, fiquei até às duas da manhã e saí de alma lavada)? Por que, simplesmente, não fazer nada sem culpa? Por que não dar um passeio ao ar livre?

Enfim, estes questionamentos têm me levado cada vez mais em direção à minha essência e percebo que, colocando em prática, a minha felicidade é mais potente. Explico: eu levo uma vida hoje em dia que na minha concepção de sucesso e felicidade me deixa muito satisfeita. Isso, porque eu trabalho sim, e me dedico muito quando preciso, mas que, ao mesmo tempo, passo muito tempo com a minha família, o amor da minha vida, os amigos e fazendo coisas que amo.

Ainda estou longe de achar a resposta ideal, ou de chegar ao destino felicidade. No entanto, posso dizer com um frio na barriga que a jornada tem sido significativa e prazerosa. Como não tenho mais palavras particulares para me expressas deixo, então, as belas e esclarecedoras palavras do Tal Ben-Shahar para encerrar por ora esta breve e inacabada reflexão.  Deixo-as com a esperança de que elas alcancem aqueles que devam ser alcançados:

“When the questions that guide our life are about finding more meaning and pleasure (happiness perception) rather than about how we can acquire more money and more possessions (material perception), we are much more likely to derive benefi t from the journey as well as the destination. “

Tradução livre:  "Quando as questões que guiam nossa vida estão centradas no fato de encontrar mais significado e prazer ( percepção de felicidade) em vez  de o quanto podemos ganhar mais dinheiro e mais posses ( percepção material), temos mais chances de obter benefícios ao longo da jornada tanto quanto do destino”

Que a felicidade te encontre e te acompanhe...=) 

Posted on August 9, 2016 .

Eu, Anna, 28 anos, escritora e empreendedora

Eu achei que estivesse fazendo uma transição de carreira “apenas” para ser escritora. Bonito engano! Não foi tão logo que eu me dei conta de que, na realidade, eu estava empreendendo; empreendendo na carreira, empreendendo na vida.

Apenas me dei conta desse pequeno detalhe (que poderia passar despercebido entre os cantos da poesia) quando o que estava carregando inconscientemente tornou-se algo concreto: abri minha empresa. Uma MEI, para ser mais exata. Entre um texto e outro, agora (naquele momento), não eram apenas as palavras com que eu deveria me preocupar e ocupar: contratos, orçamentos, fluxo de pagamentos, gestão da pequena empresa Anna. Tudo isso passou a fazer parte da minha rotina.

Tudo ficou, então, mais claro para mim. Ou o que deveria ser claro naquele momento, afinal, cada coisa tem seu momento para clarear. Oras, de profissional contratada, eu passaria a ser minha própria chefe e gestora. Além de compreender toda a mudança de rotina e insegurança que envolve este tipo de transição de carreira, eu também deveria criar e construir o meu trabalho a cada dia. Ufa, tarefa desafiadora esta, mas que proporciona aquele frio na barriga gostoso!

Penso (agora, com mais clareza) que mesmo sendo CLT, cada um deve construir a sua própria profissão e a sua própria vida. Mas, este fato é muito mais gritante quando você se torna “dona” do seu próprio nariz. E isto vale para os aspectos legais e os não tão legais assim. Não pode haver a desculpa “a empresa não me dá oportunidades”: você é a empresa e você cria as oportunidades. Não há como não se ocupar diante os detalhes: os detalhes fazem o todo e você faz o todo. Não há como deixar para amanhã o que deve ser feito hoje: você, e apenas você, dirige a orquestra.

O legal de ser empreendedora ( será que estou me achando muito, me considerando empreendedora?) é que você começa a tirar da sua cabeça crenças limitantes como “eu não consigo”, “não sou capaz de fazer isso”, “não quero chamar a atenção”. A vida te empurra para o centro do palco e você não tem outra escolha a não ser torna-se líder da sua própria vida. E, não é muito mais legal assim?

Há um ano e meio eu venho me aventurando pelos campos das possibilidades e posso dizer que estou muito feliz com os resultados: três livros publicados ( sendo um autoral), dois roteiros filmados ( ah, não contei? Tenho uma produtora também que está sendo construída: Eu, Tu, Lentes), um projeto incrível ( InspiraSampa) e alguns textos publicados ( no meu blog e em lugares como a Box, por exemplo). Tá bom? Longe de estar, ainda tenho muitos sonhos para alcançar, erros para reparar e passos para evoluir. Quem sabe a gente não se encontre pelo caminho...

Posted on July 20, 2016 .

A Felicidade Acaba

Em pouco mais de uma semana eu vivi momentos intensos e marcantes na minha vida: o lançamento do meu livro, a minha afirmação ( ou o começo..) ao mundo enquanto escritora e o casamento de um casal muito especial. Percebo, então, que o bom da vida está aí: nas pessoas e nos momentos que passamos juntos. Seriam estes momentos, então, a própria felicidade?

Gosto muito da frase que Chris McCandless, figura central do filme/livro “ Na Natureza Selvagem” transmite: a felicidade só é verdadeira quando compartilhada. Será que a felicidade só pode se concretizar a partir do momento em que compartilhamos com pelo menos algum outro alguém? Não sei ao certo; talvez sim, talvez não.

 Sinto que não, pois a felicidade também é esse sentimento inefável de maravilha, paz e serenidade que carregamos ( ou: é importante que seja carregado) ao longo da vida. Mas, também sinto que sim: estar com as pessoas que você ama e ter o apoio delas, aproveitar minutos que não mais se repetirão e estar no presente dão significado à existência. Afinal, a  menos que você esteja presente, a sua vida passará despercebida perante seus olhos. E repare bem nesses momentos: o sentimento é mais profundo do que quando realizamos uma compra, por exemplo.

Não sei ao certo os caminhos de minhas divagações, mas neste momento penso na inesquecível crônica “ O Amor Acaba”, de Paulo Mendes Campos, e tento brincar um pouco com a minha própria versão: “ AFelicidade Acaba”. Eis uma missão difícil, Paulo Mendes Campos, assim como Rubem Braga, é um dos grandes mestres da crônica brasileira, jamais será copiável – assim como ninguém é. Tento, então, a partir da ideia deste mestre, ingressar em meu próprio universo. Quem sabe um dia.

A Felicidade Acaba. Em um jantar, por exemplo, quando só conseguimos prestar atenção naquele vinho não tão agradável, que desce difícil, nos esquecendo daqueles que tanto nos são caros e estão ao nosso redor. O sabor amargo do vinho roubou a verdadeira intenção do encontro. A felicidade acaba, de repente, em um momento em que estamos no cinema e não sabemos qual filme assistir. Olhamos impaciente para as opções, pensamos sem vontade em todas as outras opções, para além do cinema, e nada: a inquietação já supera as possibilidades de leveza.

Em um belíssimo pôr do sol a felicidade também acaba: na mesma intensidade em que uma mágoa permanece guardada, uma discussão não resolvida e um sentimento de vingança desnecessário. Considerar o menos importante como sendo mais importante; também aí acaba. Quando as bocas não dizem o que o coração deseja, quando as mãos tremem de tensão e a explosão vem como uma necessidade de jogar tudo para o alto. Uma explosão não de amor, não de poemas que precisam ser ditos com a vontade de todos os poros, apenas a desistência. A impaciência, esta que muitas vezes achamos tão bonita de se carregar: eis aí uma outra possibilidade de término da felicidade.

A felicidade também acaba no momento em que as palavras não conseguem encontrar o texto certo. E a felicidade também acaba no tanto faz: tanto faz o que quero, tanto faz o como, o que faço. Tanto faz que os dias passem e eu nem perceba. Tanto faz que o mundo esteja um caos e eu nem olhe. Aí, a felicidade também acaba.

Posted on July 18, 2016 .

A grandiosidade da simplicidade

Há mais ou menos 16 meses eu comecei a minha jornada em direção à minha essência. Algo não tão poético (não?), mas com maior objetividade: há 16 meses eu comecei a meditar. Após a meditação de hoje, pensei como algo aparentemente tão simples ( e de graça!!! rsrs) poderia me trazer tantos benefícios. Sim, é só eu sentar 20 minutinhos por dia, focar na respiração e tentar da maneira mais gentil possível me desprender dos pensamentos que eu me torno uma pessoa melhor. Essa pessoa melhor significa uma pessoa mais segura, com menos preocupações, mais empática e com mais intenção de evitar conflitos. Ou melhor, hoje em dia irritações, preocupações e inseguranças não possuem mais tanto poder sobre minhas reações. Ainda possuem claro, mas não com a intensidade de outrora.

Apesar de ter divagado um parágrafo sobre meditação, esse não é um texto sobre meditação. Após este pensamento sobre a simplicidade da meditação, eu tive um leve insight sobre a simplicidade da vida: não será a própria vida simples, mas nós que fazemos de tudo para complicá-la? Afinal, não será simples aproveitar as preciosidades do momento presente sem se preocupar com 500 outras coisas? Não será simples se relacionar melhor com os outros, especialmente aqueles outros que estão mais próximos? Não será simples buscar com determinação o que realmente queremos? Não será simples considerar tantos outros aspectos da nossa vida? Não, não é! Mas, não é , porque a gente não quer que seja.

Acho que esta caminhada de uma vida mais simples exige uma prática de gentileza, especialmente gentileza consigo. A busca pelo autoconhecimento nos proporciona uma melhor visão de quem somos, ou uma melhor visão de vida. Percebemos que não somos tão ruins quanto imaginamos e que podemos ser ( talvez já sendo) melhor do que acreditamos ser. Ou, para o nosso ego de plantão, percebemos que não somos tão incríveis assim, há uma caminhada dura para ser um alguém melhor a cada dia. A partir desta percepção, também é possível tomar maiores responsabilidades pela própria vida, parar de ter uma atitude egóica e infantil de sempre culpar o outro por tudo. Mesmo que a outra pessoa não esteja sendo tão gentil, você vai mesmo deixar nas mãos de um outro alguém a sua felicidade?

Felicidade me lembra sonhos e realizações. Melhor nem começar a falar das próprias frustrações, não é mesmo? Tudo que queremos realizar, mas que não temos tempo, dinheiro ou coragem em quantidade suficiente. Mas, sério mesmo? Você vai passar a vida penas reclamando, reclamando e reclamando? Que tal simplificar tudo e ser mais prático com a própria vida? Ou, que tal parar de idealizar algo que talvez nem te traga tanta felicidade assim, e começar a perceber as riquezas que já estão em você ou ao seu redor?

A simplicidade é tão difícil, mas pode ser tão simples. As melhores experiências residem na simplicidade: os melhores poemas, os melhores acontecimentos, as melhores pessoas. A grandiosidade está na simplicidade, e é ela, no fim, que pode nos mostrar o sentido da vida. Aquele que não sabe enxergar o indizível da simplicidade, pode ser que nunca chegue ao grandioso da vida. E que triste seria...

É isto por hoje, então. Amanhã estas palavras podem ser diferentes, ou então: potencializadas. 

Posted on June 29, 2016 .

O nosso Romance particular

 Viver é abrir espaço a passos largos em um destino que ainda não existe com base em um passado que já aconteceu. Confuso? Nosso futuro também pode ser confuso: tantas possibilidades, tantas angústias, tantos sonhos. Estamos ( e estaremos) sempre suscetíveis  a aquele friozinho na barriga e a (talvez?) constante dúvida de qual próximo passo dar.

 Mas, aí que reside a beleza de viver. Sabe o motivo? Bom, eu ainda não tenho certeza, mas começo a perceber que a todo o momento estamos moldando a escultura da nossa vida com as nossas próprias mãos,  refazendo aqueles espaços que não saíram tão bons quanto esperávamos e tendo consciência das próprias vitórias.

Também começo a aprender o real significado de livre arbítrio. Claro, há um Deus de extrema bondade e extrema inteligência que sabe ( até mais do que nós mesmos) o que é melhor para o nosso crescimento, para os nossos sonhos- eis a minha crença, respeitando cada um a do outro. No entanto, sempre estamos escolhendo qual passo seguir sem considerar uma lei já prevista.

E, a partir do livre arbítrio, também começo a aprender que eu não preciso ter um objetivo estagnado, escrito em pedra; o caminho vai nos mostrando como ajustar o nosso próprio GPS. Afinal, vamos descobrindo mais sobre nós mesmos, sobre as possibilidades do mundo e sobre tudo que podemos alcançar.

A vida é como um romance que é escrito a cada dia por nós mesmos. Há os momentos de alegria, o clímax, as conquistas. Há também os aprendizados, os relacionamentos, os momentos de virada. Qual linha você quer escrever hoje? 

Posted on April 27, 2016 .

Reflexões para um (possível) detox da alma

Há que se fazer um detox não só na nossa alimentação, tão prejudicada nessa cultura totalmente industrializada em que vivemos. Precisamos fazer um detox na nossa mente e na nossa alma: eliminar sentimentos que não nos fazem bem para consumir mais amor e felicidade. ( Quem sabe assim, uma mudança menos demagoga e mais efetiva..)

Em tempos de tanto ódio e disseminação de informação em excesso (muitas vezes de conteúdos duvidosos), será que não vale refletir: o que realmente me agrega? Será que não estou eu indo ladeira abaixo na negatividade?

Em tempos de excesso de redes sociais, é importante trabalhar o ego e o autoconhecimento, para não sucumbir à sentimentos como: por que a minha vida não é perfeita e a dele é? Por que eu não posso comprar 1 bolsa da Chanel e ela tem 150? Claro, temos que trabalhar nossa auto aceitação e nossa inveja ( sim, não é só o outro que sente inveja, não é mesmo?), mas a necessidade de uma revisão de valores clama por pensamentos sensatos.

Há que se fazer um detox dos excessos: excesso de sentimentos negativos, excesso de cobrança, excesso de atividades, excesso de automatização. Mas, também temos que eliminar o excesso de apatia, excesso de preguiça, excesso de críticas, excesso de inação.

Não sei qual o caminho nisso, não sei se estou me insentando de uma postura crítica. No entanto, ontem, enquanto eu assistia à votação do Impeachment, uma chuva de energias ruins dominou meu corpo e meus pensamentos. Resolvi isso indo assistir ao filme “ À Juventude” de Paolo Sorrentini ( maravilhoso por sinal), que me fez refletir muito mais sobre a vida, as relações humanas e o que realmente importa na vida. E talvez mais sobre política até, quem sabe..

Ah então tá Anna, você está falando para sermos alienados ou apolitizados ( existe essa palavra)? Eu não, longe de mim, livre arbítrio está aí para isso =). Mas, apenas, acordei com uma reflexão de que essa enxurrada de informação e de vida social em que estamos vivendo está trazendo tantas coisas negativas e não sei se uma mudança efetiva. Bom, sei que acordei com vontade de mudar algumas coisas, para mim sabe? Quem sabe assim eu aproveito mais a minha vida e o tempo tão valioso com atividades criativas...

Posted on April 18, 2016 .

AWAKE

Quando começamos a expandir nossa consciência, mesmo que seja um pouquinho, temo ser este um caminho sem volta. Digo sem volta, pois, se você estiver comprometido mesmo com a sua evolução, há fatos que você não consegue mais ignorar. Por exemplo: você começa a ser uma pessoa menos reativa, aquelas explosões à flor da pele já não são tão frequentes. Mas, mesmo se algum dia você reagir a raiva  (por esta ser maior que você, ou por um orgulho ferido), você não vai fazer isto sem conhecimento: você vai gritar, falar palavras raivosas, fazer jogos de vitimização (atenção: trecho baseado em fatos reais, rs) e, no entanto, você saberá que você está reagindo e agindo da maneira errada.

 Ontem eu assisti ao documentário “ Awake: A Vida de Yogananda”, documentário que conta a própria vida do Yogananda. Este guru indiano é o autor da obra tão citada “ Autobiografia de um Iogue”, livro de cabeceira de gênios como Steve Jobs, George Harrison e João Gilberto. Enfim, fora o fato de ter sido algo incrível assistir este documentário, uma experiência inexplicável mesmo, fiquei com dois pontos do documentário martelando na minha cabeça. E, obviamente, não consegui viver direito enquanto não compartilhei estes sentimentos aqui com vocês.

O primeiro é que, em dado momento, fala-se que o caminho espiritual é algo extremamente difícil, pois exige que você se desfaça de muito de você. Não precisa nem ser um sábio para perceber isso no dia a dia, uma vez que somos muito apegados a nós mesmos – ou a ideia que temos de nós. Enquanto seres humanos, somos muito apegados as nossas virtudes e, o pior, aos nossos defeitos. Quantos de nós não nos apegamos ao nosso orgulho ou nossa vaidade, mesmo quando prejudicamos alguns dos relacionamentos mais importantes de nossa vida?

 Enfim, nessa questão do apego, sou uma mera mortal tentando ser uma pessoa melhor a cada dia, superando meu egoísmo e minha inveja, não sabendo o que é certo e errado de tudo isso. Só sei que tento caminhar com o coração e relativizar as minhas atitudes, para não seguir aquela razão cega. Lendo Paulo Freire, penso que gostaria muito de não sofrer do mal dos sectários, como ele coloca, visto que “.. sofrem da falta de dúvida”.

Outro pensamento que me atormenta desde ontem, ou me acalma: enquanto seres humanos não temos consciência do nosso potencial. Quando Yogananda foi para os Estados Unidos, em 1920, ele começou a disseminar uma ideia que era estranha à época, que seria o fato de termos o divino em nossa essência e, para nos relacionarmos com ele, bastaria olhar para dentro. Posso imaginar a radicalidade dessa ideia na sociedade americana da época, não só em termos de concepção de religião, mas também por ser uma sociedade que estava vivendo a segregação racial. Imagine, nesse contexto, a disseminação da ideia de que você é Deus, assim como seu “irmão”, sendo ele branco, negro, ou um swami de pele morena que anda pelas ruas com um turbante.

Se essa ideia não muda tudo, não sei o que pensar. Ainda hoje, é um pensamento radical: envolve a concepção de que temos um potencial divino em nós mesmos e que nos permite uma total expansão, além de levar o conceito de fraternidade ao seu extremo. Somos um, mas somos parte. Somos a parte do Todo Maior. Precisamos das outras partes para ser o Todo. Imagina isso...

Posted on April 4, 2016 .

O Sol que nos habita

Não sou especialista em chackras, mas sei ( e sinto) que um chackra é um campo de energia. Todos temos sete chakras, cada um representando um aspecto da nossa natureza enquanto seres humanos. Não vou ficar aqui divagando sobre cada chackra ( afinal, já disse que não tenho conhecimento para tal). No entanto, queria dividir alguns breves pensamentos sobre um chakra específico: o plexo solar.

O plexo solar está localizado quatro dedos acima do nosso umbigo, é representado pela cor amarela e está relacionado a aspectos como a nossa auto aceitação, vontade e poder pessoal. Quando esse chakra é muito exacerbado, pode estimular demasiadamente o egoísmo e, no entanto, quando não está fortalecido o suficiente, pode diminuir nosso poder pessoal.

Ou seja ( ou onde eu quero chegar com tudo isso): temos um Sol dentro de nós. Isso mesmo, todo o poder, toda a transformação, já está dentro de nós, só esperando pela nossa atenção. Isso nos mostra que já temos o poder para realizar os nossos sonhos. Por que, então, teimamos em acreditar que não somos capazes? Por que achamos que não dará certo?

Já temos o sol, já somos o sol. Será que isso não é suficiente para começarmos a caminhar? 

Posted on March 28, 2016 .

Money, money, money!

Quando estou inquieta, sei que preciso escrever algo: alguma coisa, qualquer coisa! – essa qualquer coisa que, geralmente, resulta em pensamentos que estão entalados em minha alma. Minha vida se resolve nas palavras: compreendo algo de mim através de textos que me tocam, compreendo mais de mim quando consigo formular palavras sobre minha personalidade, algo que começou na minha alma e que transbordou através da minha intuição.

Hoje é um desses dias que acordei inquieta, nem a meditação foi suficiente para acalmar esse desassossego que reside temporariamente em mim. Veja bem, não vejo esse desassossego como um incômodo, vejo como algo que quer vir para a superfície a favor de minha evolução, para que eu integre algo em benefício de ser uma pessoa melhor. O que te desassossega e que você finge não ver?

Acho que hoje vim aqui para falar sobre minha relação com o dinheiro, ou a nova relação que estou levando com ele. Ano passado, quando abri mão de um salário fixo, tive que ter uma DR comigo mesma e minhas finanças. Confesso que levei um tempo até me tocar ( ou encarar de frente) que estava fazendo uma transição de carreira e, consequentemente, de finanças e, sendo assim, algo deveria ser alterado nesse quesito.

A questão é que não poderia comprar mais muitas das coisas que queria, viajar com a mesma frequência ou mesmo comer em todos os restaurantes badalados de São Paulo. E, por um breve período, eu sofri com isso. No entanto, passei dos 8 aos 80 em poucos segundos: não queria mais gastar com nada e, qualquer coisa que fosse não investir na minha carreira, nos meus sonhos, me deixava irritada.

Resumidamente, agora acredito que essa relação com o dinheiro gerou um coeficiente positivo: nem tanto o céu, nem tanto a terra. Comecei a perceber que realmente gastava muito do meu dinheiro em coisas inúteis e que eu não precisava tanto assim. Afinal, estou há quase um ano sem comprar peças de roupa e não tive que andar pelada por aí. Entretanto, em certo momento, percebi que também é importante fazer o dinheiro circular para mim mesma e para o mundo. Eu, particularmente, acho muito positiva a prosperidade no mundo para ajudar os outros, financiar ideias legais, valorizar o trabalho de alguém ( afinal, somos muito ajudados pelos talentos dos outros, nâo?) e também para comprar um livrinho e uma bolsinha de vez em quando. Afinal, uma bela bolsa  pode ser irresistível em alguns momentos ( ou seria essa uma coisa de Anna? rs).

Não estou aqui para ditar nenhuma regra nem para pagar de super entendida – afinal, aprendo um pouquinho cada dia e amanhã posso pensar tudo ao contrário do que disse hoje. Mas, acho que essa é uma energia muito importante nesse mundo  e devemos ter a melhor relação possível com nosso dinheiro, até para nossa felicidade. Então, você já pensou hoje como está se relacionando com seu dinheiro e como ele pode te ajudar a ser uma pessoa mais feliz?

Posted on March 11, 2016 .

Voando leve por aí...

Venho refletindo: quanto da minha vida passo revivendo e remoendo momentos do passado? E quanto tempo passo esperando por um futuro que não sei quando chegará? Nada poderia ser mais verdadeiro do que a máxima global (?) de que o futuro é agora. Afinal, se você não cuidar dos seus sonhos no presente, eles estarão sempre fadados ao futuro abstrato e que na realidade está só na nossa mente. Se só temos o momento presente, como sempre deixar tudo para mais para frente?

Percebo que é essencial apostar no presente para a realização de sonhos futuros; passo por passo chegamos lá. No entanto, também venho refletindo que é importante não estar obcecado com essa idéia de futuro, pois vamos sempre estar no presente, tomando atitudes para o futuro ( o que é incrível), mas sem olhar para onde estamos. Você já reparou que o vento passa ao seu lado, ou que uma pessoa, um estranho mesmo, passou sorrindo para você?

Já comentei aqui sobre a minha prática de meditação e os inúmeros benefícios que isso trouxe para mim: há um ano que adotei como hábito meditar e há um ano que me sinto melhor, me sinto uma pessoa que leva uma vida com mais qualidade. Por mais que seja um pouco óbvio que à medida que você vai praticando meditação você tende a estar mais presente no presente ( risos pleonásticos), foi nesse final de semana que tive a clara percepção de que realmente estou aproveitando mais a vida. O hoje, o agora, esse segundo mesmo.

Um dos grandes ganhos para mim nessa escolha é que eu, que sempre fui ansiosa, estou aprendendo a lidar com cada assunto de uma vez, cada atividade ou projeto tem o seu momento certo e precisa da atenção total nesse momento. Sim, como uma boa ansiosa e desesperada, às vezes me sinto paralisada diante do que tenho para fazer ( Tcc do Mba pode bem dizer..), mas consigo voltar ao meu foco muito mais fácil. Voltando mais especificamente ao final de semana, eu também percebi que apesar de trabalhar nos dois dias, foram dois dias muito relaxantes e que me deixaram revigorada. O lance é que experimentei momentos e passeios ao ar livre com muita felicidade e gratidão,  aproveitei ao máximo cada refeição e o momento de estar com as pessoas que amo. Ou seja: cada momento teve seu momento, eu não estava em outra dimensão do universo.

Acredito que também tenha influenciado nesse estado de espírito mais leve ( ou o máximo que podemos chegar de leve nessa vida de metrópole que levamos, rsrs) o fato de há um mês eu ter iniciado o meu diário da gratidão. Sempre pratiquei gratidão nos meus momentos de oração - veja como citei hábito duas vezes ao longo deste texto, querendo mostrar que deve ser uma prioridade da sua vida o bem-estar, caso seja isso que você deseje realmente, no entanto, agora que escrevo momentos do meu dia dos quais sou grata, acredito que tenho a clara percepção do quanto meu dia foi feliz e produtivo, apesar das dificuldades que possam aparecer. E você já refletiu sobre: e se você acordasse hoje com apenas o que você agradeceu ontem?

Posted on March 7, 2016 .