A grandiosidade da simplicidade

Há mais ou menos 16 meses eu comecei a minha jornada em direção à minha essência. Algo não tão poético (não?), mas com maior objetividade: há 16 meses eu comecei a meditar. Após a meditação de hoje, pensei como algo aparentemente tão simples ( e de graça!!! rsrs) poderia me trazer tantos benefícios. Sim, é só eu sentar 20 minutinhos por dia, focar na respiração e tentar da maneira mais gentil possível me desprender dos pensamentos que eu me torno uma pessoa melhor. Essa pessoa melhor significa uma pessoa mais segura, com menos preocupações, mais empática e com mais intenção de evitar conflitos. Ou melhor, hoje em dia irritações, preocupações e inseguranças não possuem mais tanto poder sobre minhas reações. Ainda possuem claro, mas não com a intensidade de outrora.

Apesar de ter divagado um parágrafo sobre meditação, esse não é um texto sobre meditação. Após este pensamento sobre a simplicidade da meditação, eu tive um leve insight sobre a simplicidade da vida: não será a própria vida simples, mas nós que fazemos de tudo para complicá-la? Afinal, não será simples aproveitar as preciosidades do momento presente sem se preocupar com 500 outras coisas? Não será simples se relacionar melhor com os outros, especialmente aqueles outros que estão mais próximos? Não será simples buscar com determinação o que realmente queremos? Não será simples considerar tantos outros aspectos da nossa vida? Não, não é! Mas, não é , porque a gente não quer que seja.

Acho que esta caminhada de uma vida mais simples exige uma prática de gentileza, especialmente gentileza consigo. A busca pelo autoconhecimento nos proporciona uma melhor visão de quem somos, ou uma melhor visão de vida. Percebemos que não somos tão ruins quanto imaginamos e que podemos ser ( talvez já sendo) melhor do que acreditamos ser. Ou, para o nosso ego de plantão, percebemos que não somos tão incríveis assim, há uma caminhada dura para ser um alguém melhor a cada dia. A partir desta percepção, também é possível tomar maiores responsabilidades pela própria vida, parar de ter uma atitude egóica e infantil de sempre culpar o outro por tudo. Mesmo que a outra pessoa não esteja sendo tão gentil, você vai mesmo deixar nas mãos de um outro alguém a sua felicidade?

Felicidade me lembra sonhos e realizações. Melhor nem começar a falar das próprias frustrações, não é mesmo? Tudo que queremos realizar, mas que não temos tempo, dinheiro ou coragem em quantidade suficiente. Mas, sério mesmo? Você vai passar a vida penas reclamando, reclamando e reclamando? Que tal simplificar tudo e ser mais prático com a própria vida? Ou, que tal parar de idealizar algo que talvez nem te traga tanta felicidade assim, e começar a perceber as riquezas que já estão em você ou ao seu redor?

A simplicidade é tão difícil, mas pode ser tão simples. As melhores experiências residem na simplicidade: os melhores poemas, os melhores acontecimentos, as melhores pessoas. A grandiosidade está na simplicidade, e é ela, no fim, que pode nos mostrar o sentido da vida. Aquele que não sabe enxergar o indizível da simplicidade, pode ser que nunca chegue ao grandioso da vida. E que triste seria...

É isto por hoje, então. Amanhã estas palavras podem ser diferentes, ou então: potencializadas. 

Posted on June 29, 2016 .