Eu, Anna, 28 anos, escritora e empreendedora

Eu achei que estivesse fazendo uma transição de carreira “apenas” para ser escritora. Bonito engano! Não foi tão logo que eu me dei conta de que, na realidade, eu estava empreendendo; empreendendo na carreira, empreendendo na vida.

Apenas me dei conta desse pequeno detalhe (que poderia passar despercebido entre os cantos da poesia) quando o que estava carregando inconscientemente tornou-se algo concreto: abri minha empresa. Uma MEI, para ser mais exata. Entre um texto e outro, agora (naquele momento), não eram apenas as palavras com que eu deveria me preocupar e ocupar: contratos, orçamentos, fluxo de pagamentos, gestão da pequena empresa Anna. Tudo isso passou a fazer parte da minha rotina.

Tudo ficou, então, mais claro para mim. Ou o que deveria ser claro naquele momento, afinal, cada coisa tem seu momento para clarear. Oras, de profissional contratada, eu passaria a ser minha própria chefe e gestora. Além de compreender toda a mudança de rotina e insegurança que envolve este tipo de transição de carreira, eu também deveria criar e construir o meu trabalho a cada dia. Ufa, tarefa desafiadora esta, mas que proporciona aquele frio na barriga gostoso!

Penso (agora, com mais clareza) que mesmo sendo CLT, cada um deve construir a sua própria profissão e a sua própria vida. Mas, este fato é muito mais gritante quando você se torna “dona” do seu próprio nariz. E isto vale para os aspectos legais e os não tão legais assim. Não pode haver a desculpa “a empresa não me dá oportunidades”: você é a empresa e você cria as oportunidades. Não há como não se ocupar diante os detalhes: os detalhes fazem o todo e você faz o todo. Não há como deixar para amanhã o que deve ser feito hoje: você, e apenas você, dirige a orquestra.

O legal de ser empreendedora ( será que estou me achando muito, me considerando empreendedora?) é que você começa a tirar da sua cabeça crenças limitantes como “eu não consigo”, “não sou capaz de fazer isso”, “não quero chamar a atenção”. A vida te empurra para o centro do palco e você não tem outra escolha a não ser torna-se líder da sua própria vida. E, não é muito mais legal assim?

Há um ano e meio eu venho me aventurando pelos campos das possibilidades e posso dizer que estou muito feliz com os resultados: três livros publicados ( sendo um autoral), dois roteiros filmados ( ah, não contei? Tenho uma produtora também que está sendo construída: Eu, Tu, Lentes), um projeto incrível ( InspiraSampa) e alguns textos publicados ( no meu blog e em lugares como a Box, por exemplo). Tá bom? Longe de estar, ainda tenho muitos sonhos para alcançar, erros para reparar e passos para evoluir. Quem sabe a gente não se encontre pelo caminho...

Posted on July 20, 2016 .