O que deixei para trás

Quase 30 anos nas costas, e há uns dois anos e meio que levo a sério a pergunta: quem é a Anna? Mas, quem é a Anna de verdade mesmo? Quero dizer: a Anna parte bonita e a Anna parte não tão bonita assim.

Entre erros e acertos, sorrisos e lágrimas, ainda tenho um leve conflito quando penso na questão que o Caetano propôs e que nunca sai- nem nunca sairá- da minha cabeça: existirmos, a que será que se destina?

Eu ainda não tenho a resposta, mas acho que, no momento que parei de ir atrás desse desnudamento do universo e me contentei apenas com viver ( viver mesmo, quero dizer), deixei algumas coisas para trás, coisas que pesavam até demais a minha existência.

Isso significa que agora eu vivo mais leve . Não tão leve quanto gostaria, claro, quanto blogueira fitness, mas com aqueles quilinhos  a menos que já elevam meu bem viver.

E, o que deixei para trás? Bem, acho que não sei conscientemente tudo que deixei para trás, mas trago algumas suspeitas. Por exemplo: me importo menos com o que pensam de mim e tento julgar menos os outros. Também, afasto constantemente as preocupações inúteis que me desfocam da sensação do vento no presente, vento que tanto amo.

E, por que nos preocupamos tanto mesmo?

Comecei a não me importar tanto ( por mais que seja surreal o quanto ainda dói) com o fato de  não ser perfeita, ou nunca ter todas as mil esferas da minha vida em um estado de perfeição. Digo, estar satisfeita com meu corpo, meu trabalho, a relação comigo e com os outros, estar em todos os eventos badalados, com a quantidade de livros que eu deveria ler por mês em dia e por aí vai.

Eu parei também de tentar esconder sempre o que sinto, ou o que sinto pelas pessoas, achando que elas vão me achar louca por demonstrar tanta afeição sem um espaço considerável de intimidade. Não quero morrer amanhã e saber que eu não elogiei o suficiente ou dei carinho o suficiente quando eu senti que deveria.

Ah, muito importante: parei de me preocupar se os meus textos serão publicados com erros de português e, por isso, me tornar menos escritora que todos escritores e escritoras gênios que leio . Ah pelo amor né Anna? Você nunca vai ser Clarice Lispector, até pelo fato de você já ser Anna. Decidido, nem vou revisar esse ttexto! ( Ok, só algumas vezes). Mas, parei com isso mesmo.

Sinto que ainda tenho muito a dizer sobre esse assunto, mas me faltam palavras agora para traduzir este sentimento. Ah, eu que sou das palavras, quantas vezes me vejo sem palavras para aprisionar o que sinto...

Tudo bem, me contento em deixar meus sentimentos e pensamentos leves por aí, sem ter que construir uma palavra bonita para compensar isso, ou ser tão escritora quanto eu acho que deveria ser...

Posted on August 17, 2017 .