Vida, vida

Não consigo decidir se a vida é estranha ou maravilhosa. Parece um jogo: às vezes acho que a estranheza está ganhando, às vezes acho que a corda pende mais para o lado do maravilhoso. Duro cabo de guerra esse!

( Observação: só agora parei pra pensar no fato de uma brincadeira de criança ter um nome tão bélico. Palavras são signos realmente, que nos dizem muito sobre nossa sociedade e quem somos.)

 A estranheza reside no fato de que um dia não vamos existir mais e, o que é mais complicado ainda, as pessoas que amamos não vão existir mais. A dor se instala até mesmo quando tento escrever essas palavras, tamanha intensidade.

A vida é muito louca né? Morre gente nova, morre gente boa, morre gente que ama a vida. Morre gente que até ontem era viva, que até ontem se preocupava com um prazo do trabalho, ou com os conflitos demasiadamente humanos que todos passamos. Morre gente,  e que estranho é isso!

Mas, ainda assim, não consigo me decidir só por esse lado, olhar só por esse ângulo. Afinal, de que me serviriam todas as invertidas na prática de Yoga? E, pensando bem,  se sofremos antecipadamente  por algum dia não podermos vivenciar mais toda essa realidade, não é pelo fato de amarmos em demasia a vida? Ou por nos agarrarmos até o último suspiro na única certeza que temos?

É doloroso imaginar que um dia não mais poderei receber o abraço do amor da minha vida. Ou não mais apreciar um pôr do sol. Ou não poder conhecer  e me surpreender com lugares novos e sabores novos. Ou descobrir livros, filmes e músicas que me deixem sem fala. E eu poderia escrever livros e mais livros, teses e mais teses sobre tudo que amo na vida.

Analisando bem, pensando bem nessas palavras, acho que o que mais pesa  nessa equação ainda misteriosa é o lado maravilhoso da vida. Deve ser isso mesmo.  Só pode ser isso. Sem maiores divagações, em um primeiro momento, há uma solução, um resultado para toda essa equação: aproveitar de verdade tudo isso, toda essa vida que nos é dada de presente.

Posted on March 21, 2018 .