A Finitude da Vida

Hoje eu acordei às seis da manhã com minha mãe chorando e muito nervosa, porque uma amiga dela, que mora no mesmo prédio que a gente, faleceu nessa última madrugada, vítima de um infarto fulminante. Além de acordar com o coração na boca, eu não consegui voltar ao sono tranquilamente. Ainda que estava com muito sono, porque, como muitos, tive que ficar acordada para ver se o Leo DiCaprio ganharia o Oscar ou não ( ainda bem que fiquei! Que discurso!), não consegui ficar em paz. Tive pesadelos com a situação, com as filhas sofrendo a perda da mãe, com todo o universo dessa pessoa que viverá apenas na memória a partir de agora. E, como não poderia deixar de acontecer, já acordei muito reflexiva em uma segunda-feira nublada.

Quando eu era pequena, a incompreensão da dimensão da vida era algo presente,  e eu ia bailando conforme a música uma nota por vez: o que vou fazer nesse dia, o que vou fazer nessas férias, estou aproveitando mais um semestre no colégio para que eu possa seguir para o próximo ano letivo – algo que parecia muito longe do fim. Fui muito sortuda, pois só mais tarde eu tive que lidar com o conceito de “efemeridade da vida”, de que a vida é algo que contém uma finitude, não é eterna. Ou será que é agora que sou “sortuda”?

Não pude deixar de acordar triste ao imaginar o sofrimento dessa família, dessas filhas. Não pude evitar minha incompreensão diante de nossa “pequenez” no universo. Alguém que na outra semana, ou mesmo ontem, estava aqui acordando, tomando café da manhã, pensando nas preocupações diárias e que, de repente, não está mais. Fazemos tantos planos para o futuro, muitas vezes postergamos tantos planos nos sentindo senhores do nosso destino, mas, aí vem a vida  e te mostra que não é bem assim.

É nesse momento, que não pude deixar de acordar muito grata também. Apesar de ter um conflito comigo mesma, me sentindo muito egoísta (afinal, estou feliz por estar aqui e não experienciando perdas que não consigo nem imaginar a dimensão), eu sei que Deus está nos ensinando a todo o momento. Seja lá qual for sua crença, é fato que por você estar aqui lendo minhas palavras confusas ( confusas em virtude da talvez impossibilidade de explicação  da essência disso tudo ), você teve a oportunidade de acordar mais um dia para realizar seus sonhos e vivenciar as maravilhas do mundo.E mesmo se você teve/tem uma perda muito grande na sua vida,  pois ao perder esse alguém se instalou um vazio em seu corpo, eu sei que você também está aqui por alguma razão, e que a vida ainda pode ser bela. Você tem a oportunidade de passar mais um dia com aqueles que ama, de poder ajudar mais pessoas. E só por poder respirar, já sentimos todo o poder que temos.

Eu não sei o significado de tudo isso, da morte, da vida, dos milagres do dia-a-dia, e talvez sejamos ainda muito limitados para ter algum conhecimento sobre isso. Mas, eu sei que a minha, a sua, a nossa vida, é mais um dia de milagres. Então, o clichê nunca se fez tão verdadeiro: não vamos desperdiçar nem um segundo.

Posted on February 29, 2016 .

O Retorno de Saturno

De repente, você acorda um dia e sente que há algo estranho com você. O que aconteceu ontem mesmo? Será que me abduziram durante o sono e trouxeram uma nova Anna para o planeta Terra? Mas, você respira fundo e percebe que está tudo bem, você está apenas compreendendo que está um pouco diferente daquela que era no ano anterior, ou mesmo, antes de decidir sair por aí cantando “um belo dia eu resolvi mudar”.

Pode ser o retorno de Saturno – pausa para reflexão: quem nunca ouviu falar no acontecimento de fazer ou estar prestes a fazer 28 anos deveria refletir sobre isso, pois você será cobrado para ser quem você quer/deve ser, e a sua consciência será a responsável por essa cobrança. Astrólogos sabem falar melhor do que eu sobre o tema, certamente! -, pode ser o sol que está  batendo de maneira mais insistente na sua pele, ou mesmo a incompreensão diante de tudo que te dizem que é certo, mas que você sente lá no fundo que não é bem assim. Pode ser tudo isso e pode não ser nada, você apenas sente que está diferente e se sente muito bem na sua pele.

Você começa a perceber que o que você valorizava antes não é tão importante assim, especialmente quando esses supostos artigos essenciais ( no caso de artigos não estou me referindo apenas à materialidade, pode ser algum sentimento ou uma crença que você carregou e carrega por toda uma vida) estão em conflito com seus sonhos. Você percebe que realizar seus sonhos vira a sua vida, mas que o caminho para esses sonhos e as pequenas ações no dia-a-dia são a essência do significado da  sua vida.

Você percebe que quer cada dia mais ter quem você ama perto: passar tempo com a família, amigos especiais, ou aquelas pessoas que você gosta de conversar passa a ser seu ritual particular. Você percebe a maravilha que é conhecer novas pessoas especiais e que agregam muito à sua existência quase aos 30 anos, e é maravilhoso poder fazer novos amigos em qualquer fase da vida!

Você percebe que a sua rotina vira sagrada também, porque você está fazendo atividades que te completam e que  fazem você ter gratidão profunda em momentos aleatórios do dia. Você percebe que quando você trabalha por algo que você realmente deseja, você não mede esforços para alcançar, e o tempo realmente terá a gestão adequada.

Aí, de repente, você percebe que está realizando grandes sonhos da sua vida. E queridos, podem ter certeza, eu ainda vou ligar para contar que aquele sonho cresceu! ( E espero receber as mesmas ligações de vocês) ! <3

Posted on February 26, 2016 .

Sobre abrir os braços e deixar acontecer..

É incrível como nos sentimos senhores do Universo,  P.H.Ds na ciência da vida. Mente da Anna diz: Mas, como assim? A vida não é minha? É claro que eu vou saber mais dela do que qualquer outra pessoa. Mente + coração da Anna dizem: É claro, somos os responsáveis pelas nossas vidas e, passinho por passinho, conseguimos realizar os sonhos. Mas, sabe o que é incrível? Nada é 100% como imaginamos – e, ainda bem! Ps: ainda bem senhora mente, que você se referiu à uma pessoa sobre a questão de sabedoria, não a algo além, reflita sobre isso.

Eu admito: tenho um quê de controladora. Gosto de planejar milimetricamente cada etapa do meu dia e cumprir tudo conforme planejado. Ai, se algo sair do lugar, haja meditação para voltar ao fluxo normal (risos, agora todos me acham a total control freak!!)! Mas, sabem que venho mudando um pouco em relação a esse sentimento? A vida começa a me mostrar que nada vai ser 100% do jeito que imagino, vai ser ainda melhor.

É nesse momento que venho refletindo sobre  a minha vida mais com um olhar de entrega: a cada atitude minha, ação para que algo que eu desejo aconteça,  eu abro minhas mãos para o universo e assopro o “pó de pirilimpimpim” para que faça o seu caminho. Vejam bem, sublinhando: o seu caminho particular. Um dos aprendizados que tive em 2015 ( e que venho tentando aprimorar) é justamente o da entrega, esperar que a sincronicidade das coisas sigam o seu caminho natural, fluam como a água de um rio – claro, um rio que não consigo ainda enxergar ao certo suas curvas e margens.

É fácil tudo isso? Mas, é claro que não!! Somos seres humanos, temos expectativas sobre tudo na vida e, de alguma forma, somos programados a acreditar que somos os maiorais do universo. ( Mas, que ignorância e arrogância a nossa, não?). Você vai querer que a pessoa seja do jeito que você criou na sua cabeça que ela é, você vai querer que tudo aconteça na hora que você deseja, você vai querer que os seus planos saiam conforme o planejado. Normal tudo isso, mas que tal relaxar um pouquinho? ( Você vai ver como vai fazer bem para você, como efeito colateral , seu corpo pode até se sentir mais leve).

Agora, o que venho aprendendo, depois da decepção de ter saído levemente do meu caminho algumas vezes ( ou o caminho que eu imaginava ser o ideal), é  me sentir grata por não ter controle sobre tudo, pois os acontecimentos vão me surpreendendo e se saindo... INIMAGINÁVEIS! Então, que venham os acontecimentos que tiverem de vir! <3 

Posted on February 2, 2016 .

Xô Mosquinha Ansiosa!

A ansiedade é uma mosquinha que não para de zunir nos meus ouvidos. Quando isso? Quando aquilo? Olha o perigo! Pare, não se mova! Mas, tudo está realmente tão calmo? Não deveria estar, não poderia estar. Calma mosquinha, fique tranquilinha aí que a vida é assim mesmo; nós é que gostamos de complicar.

Fico me imaginando no derradeiro dia de minha vida aqui na Terra, ou no além-vida ( será que no céu ainda me preocuparei tanto? Se vou conseguir entregar para Deus aquele trabalho no prazo, se vou ajudar meus irmãos em espírito, se vou cumprir minhas metas da eternidade?). Eu acho ( ou pelo menos espero) que quando tiver que deixar este planeta não vou me preocupar se tal pessoa falou comigo de tal forma, se o job do dia estava com mais vírgulas ou menos vírgulas, se eu vou ter saído como Anna do ano na capa da revista Forbes.

 Mas, aí sim vou ficar chateada ( ou qualquer coisa mais profunda que isso): se eu não tiver pedido aquele perdão que eu deveria, se eu não tiver passado tempo com aqueles que amo, se não olhei verdadeiramente (ou suficientemente) para o mar – me pergunto se algum dia vai ser suficiente a contemplação do mar.

Também sei que vou me arrepender por não ter prestado atenção de verdade quando alguém precisava de minha atenção, por ter vivido sempre pela metade ( sabe, quando você está lá mas está cá, quando está cá mas queria mesmo estar lá?), por ter escutado música pela metade, por ter tomado vinho sem toda a degustação e toda a devoção que uma taça de um bom vinho merece.

Então aí, vou me aquietando e sossegando a alma para dar uma bela olhada para frente: que eu possa sempre respirar verdadeiramente o ar onde quer que eu esteja.

Posted on January 11, 2016 .

Sobre Deus

Respiro profundamente antes de iniciar estas linhas. A questão é espinhosa, esotérica; talvez, inquestionável. Mas é no paradoxo que se há, é no paradoxo que se cria. O que é Deus? Deus é esse paradoxo de quem ( o que?) tanto se fala, mas pouco ou quase nada se sabe. É um homem? É um espírito? É o vento que beija a minha alma? Quando o vento passa entre meus cabelos eu sinto Sua presença – ou me conforto com esse pensamento.

Em alguns momentos, quando paro para pensar Nele, eu simplesmente paro de pensar: Deus é tão infinito em sua existência que não sei como ele caberia em minha mente humana, em minhas palavras humanas, em meu conhecimento humano. E, no entanto, quando eu desisto, parece que ele vem me cutucar; ou, novamente, eu me conforto pensando assim.

Ele me cutuca e me provoca: como Eu não existo se há a música? Como Eu não existo se você assiste um por do sol e não consegue explicá-lo em palavras? Você fala, fala, fala, porque essa é sua função social, mas, no fundo, você sabe que grande parte da experiência se perdeu entre as letras que você utilizou para descrever o sentimento ao apreciar o por do sol: o verdadeiro por do sol se escorreu entre seus dedos e desapareceu para nunca mais voltar.

Quanto menos eu tento questionar, mais meu coração sossega e eu consigo me apaziguar com algumas pistas que escolho seguir. Hoje eu estava me questionando e me lamentando sobre alguns problemas quando uma frase veio parar na minha frente: “ quando pratico a filantropia, eu posso educar pessoas, encorajando-as a serem independentes, mais conscientes, mais criativas”. Logo em seguida, ouço vozes estranhas na minha casa e minha mãe me chama para ajudar a moça que trabalha como empregada doméstica na vizinha a marcar um exame por telefone ( ela não sabe ler e por isso não consegue marcar sozinha). Quando termino a ligação, eu saio da minha zona de conforto e me proponho a ajudá-la; se você quiser, posso te ajudar com a leitura. Naquele momento, eu sabia que Deus estava falando comigo, o Universo estava se manifestando bem na minha frente: qual o motivo de estar aqui se não vou fazer nada?

E todo dia eu agradeço o canto dos passarinhos, e eu não paro de ver passarinhos. E sempre que eu tenho um problema, alguma solução há ( geralmente na forma de uma pessoa). E eu decido que não sei quase nada ( ou nada sobre Deus), mas ele é o universo e ele é além. Ele é minha mãe, a moça que veio pedir por ajuda, a pessoa que me magoou, as ondas do mar, um poema do Neruda. Posso ficar a vida inteira achando que sou eu – e eu somente- quem governa o meu destino. Mas, posso aceitar minha ignorância em relação à vida e aprender cada dia mais. Carola? Irresponsável? Boba? Pode até ser, mas desse jeito não paro de experienciar pequenos milagres a cada dia.

Posted on January 6, 2016 .

E só de sentir o vento..

Às vezes somos muito ingratos com a vida ( Deus, o Universo, você mesmo,  o destino – qualquer coisa que você decidiu que rege a sua existência). Estamos lá nos lamentando, sendo as eternas vítimas das circunstâncias, chorando e sempre olhando para o lado com um lenço de papel e rogando pragas aos céus, porque “ai meu Deus, a vida dela é tão legal e a minha não!!”. Em épocas de redes sociais isso é até engraçado: você fica lá se lamentando pela sua vida, enquanto aquela pessoa que acabou de postar aquela foto M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A e que você curtiu com um pingo de inveja está com a mesma sensação em relação à sua vida. Meu Deus, até onde essa insatisfação vai?

Eu sempre fui uma pessoa muito amante da vida e positiva, quem convive comigo sabe ( talvez alguma dessas pessoas tenha até me achado a chata #positivethinking #gratitude alguma vez. Só acho). Só que em 2015 eu me peguei gritando para o alto (Deus?) que eu estava com raiva da vida. Logo eu, que aparentemente sempre soube o quanto sou sortuda, logo eu que busco sempre as coisas positivas em tudo. Pois é, mas sempre há uma chance de sucumbirmos. Mas, eu estava sendo justa com a vida? Não, bem sei que não, eu passo todo os dias sendo grata na minha vida pelas coisas maravilhosas que tenho, por tudo que eu conquistei em 2015, então não vou encher o seu tempo com a minha lista #gratidão.

Desde 2015 o tema autoconhecimento tem estado muito em pauta na minha vida e, realmente, tem me ajudado a ter um outro olhar sobre ela. Quantas vezes eu não errei, quantas pessoas eu não magoei, quantas atitudes erradas eu tive sempre me justificando por causa de uma suposta atitude do outro. Sempre o outro, sempre essa divisibilidade que gera tantos conflitos em tantos momentos. Osho diz que a maioria das pessoas no mundo vive em uma selva, com o instinto mais primitivo: alguém “aperta um botão” em nós e exalamos nossa raiva por aí, sempre em um estado de ação-reação na maior inconsciência. Really? Realmente você quer levar a sua vida assim e ainda culpar os outros por não ter vivido o que você realmente deveria ter vivido? Eu acho que não.

Eu comecei 2016 com a minha lista de metas, lista que contém grandes sonhos meus , sonhos que fazem meu coração vibrar só de imaginá-los se materializando bem na minha frente. Mas, eu não quero realizá-los e não estar feliz quando isso acontecer: eu quero aproveitar o máximo! Assim como quero aproveitar o máximo as xícaras de café pela manhã, cada filme maravilhoso que eu assistir ( viva o cinema brasileiro!), ou os momentos em que eu sentir o vento passando ( para mim, esse é o momento que o Universo mais conversa comigo). Por isso, em 2016 eu quero paz! Paz de espírito e sabedoria, para compreender que a real felicidade não está naquela bolsa que eu comprei, está dentro de mim. Afinal, não vai ter graça exibir a bolsa mais linda do mundo na alma mais triste.

Posted on January 4, 2016 .

A Poesia dos Aeroportos

Um dos lugares que mais amo no mundo: aeroporto. Não que aeroportos sejam mais legais do que as cidades que estou na iminência da visita, mas eles significam a possibilidade, um imenso universo de possibilidades ( e expectativas) do que virão a ser os meus/seus/nossos próximos dias.

Como escritora, não consigo deixar de construir narrativas em meu universo, sendo que os personagens geralmente são construídos através  das pessoas com quem cruzo na rua, no metrô, no ônibus. Logo, vou admitindo: sou dessas que ouve conversas telefônicas e fica imaginando com quem a pessoa está falando, do que estão falando, qual o espírito do outro ao receber aquelas palavras do outro lado da linha. Estar em um aeroporto, então, é me deparar com um emaranhado de enredos.

Eu posso não ser uma poetisa habilidosa como os grandes Pablo Neruda, João Cabral, Adélia Prado e Cora Coralina, mas, certamente, não sofro do mal que Rilke denuncia em uma das cartas em “Cartas a um Jovem Poeta”:  “ Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas.” A questão é que para mim a vida é poesia. Leio em Neruda “o amplo crepúsculo da Colômbia”  e já me imagino sendo embebida por esse crepúsculo. Estar em um aeroporto é viver a poesia do aeroporto, assim como a poesia que se constrói na expectativa do não vivido -  que muitas vezes é mais infinito do que o já vivido, mas não mais poético do que a própria vida.

Estou no aeroporto e sinto a poesia: a poesia das árvores e do canto dos pássaros desse lugar por ora desconhecido, a poesia do meu desconhecido que entrarei em contato, a poesia da transformação e da nova Anna que serei da próxima vez ao estar no aeroporto ( voltando para casa ou partindo para novas viagens). Ah, que vontade de embarcar por aí nesses pássaros construído por humanos e desbravar o desconhecido do mundo! Mas, enquanto isso não acontece, me contento e contemplo o meu próprio mundo (#existeamoremsp).

Posted on November 25, 2015 .

O que você fez pelo seu sonho hoje?

Vamos fazer uma brincadeira. Feche os olhos e permita-se: se você pudesse acessar o mais inacessível do seu ser, o seu infinito mais particular, o que você encontraria lá? Qual o seu maior sonho? Que tipo de pessoa você encontraria em sua plenitude? Parecida com a pessoa que você é hoje? Totalmente diferente? Você está caminhando na direção que deseja? Tantas perguntas, tantas possibilidades de respostas.

É muito fácil se desviar do caminho, qualquer distração e já viramos o barco para um lado totalmente não planejado. Em alguns momentos isso pode ser muito bom, pode te surpreender e te entregar novas possibilidades que antes você não se permitia enxergar. Mas, nem sempre é assim: algumas vezes pode ser muito ruim para a sua jornada a alteração de rota (você pode ficar empacado na lama que você mesmo criou).

Bom, agora que você  minimamente acessou o seu sonho, permita-se ter uma conversa séria, de adulto para adulto, com você mesmo. Pergunte-se agora: o que eu fiz hoje para alcançar esse sonho que já existe em mim e já criou o seu próprio universo na minha vida? Pode ser algo bem simples, mas o importante é sempre seguir em frente. Por exemplo: eu quero ser (sou) escritora, logo hoje eu escrevi mesmo que a minha mente tenha ficado o tempo todo me importunando a respeito da qualidade do meu texto ( exemplos de pensamentos nada encorajadores: sério Anna, que você está escrevendo isso? Que texto ruim, que tema ruim! Você não cansou de rodar e cair no mesmo lugar? Não, não! Aparentemente eu não cansei). Há tantas coisas para fazer: você já  deu aquele telefonema que está adiando há séculos? Já se matriculou naquele curso que vai te aprimorar em uma técnica relevante? Fez aquelas pesquisas? A partir dessas mínimas atitudes, você vai conseguir se desafiar cada vez mais para tomar passos mais decisivos, se jogar na vida realmente. ( Hoje um telefonema, amanhã um aperto de mão simbolizando o início de um novo projeto. E quando isso acontecer, abra um champanhe!!)

Eu não consigo não me surpreender com a velocidade que a vida passa e o quão maravilhosa ela é ( está sempre nos fornecendo possibilidades); por isso, um mínimo plano de vida é essencial, pois você vai pelo menos intuir a direção dos seus passos. É como aquela passagem clássica em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll: Alice tem a sua frente inúmeros caminhos e não sabe qual direção seguir. Então, ela encontra o Gato:

"Alice:  Eu só queria saber que caminho tomar.

Gato: Isso depende do lugar aonde quer ir.

Alice:  Realmente não importa.

 

Gato: Então não importa que caminho tomar."

Qual caminho você quer tomar, então?

            

Posted on November 23, 2015 .

Diário de uma Transição: Nove Meses desde o dia D

Ufa: e lá se foram mais de nove meses desde o dia em que eu pedi demissão do meu cargo de analista de Marketing e optei por seguir todos os sonhos e todo o frio na barriga que esses sonhos carregam. Passou tão rápido, foram tantas mudanças ( externas e internas), que acho que nesse momento ainda não tenho a real compreensão da dimensão da mudança que provoquei em minha vida.

Foram mudanças de todas as espécies: não mais ter um local para ir todos os dias da semana, não mais ter um salário fixo ao final do mês, não mais ver diariamente os meus amigos da Nextel – porque a alteração na convivência é uma grande mudança sim. Mas, ao mesmo tempo, eu me permitir voar tão alto quanto jamais me permiti. É claro que fazer a transição por si só não completa o plano de voo; mas, ela desenha as nossas asas. É claro que eu tropecei em várias etapas do caminho; mas, me sinto muito mais preparada. É claro que em vários momentos eu me perguntei (e ainda pergunto) qual seria/será o destino dessa jornada com a maior carga de preocupação da vida; mas, tem sido a aventura mais legal que eu me propus encarar.

Nesses nove meses, apesar de não mais ter mais um salário fixo, eu fui paga para fazer coisas que eu faria de graça – algo que também me fez valorizar o meu trabalho e os meus talentos , assim como a propriedade que tenho para receber por eles. Nesses nove meses eu percebo como os sonhos começam a se materializar pouco a pouco na minha frente: é uma felicidade inexplicável quando você se percebe tendo uma vida diária que está totalmente alinhada com você. Nesses nove meses eu também me permiti explorar muito mais meus talentos, pois é preciso se jogar no Universo para que as coisas aconteçam.

Essas palavras e sentimentos  representam apenas mais um pequeno fragmento da minha louca jornada, e sei que logo virei por aqui compartilhar com vocês novos aprendizados e novos passos. No entanto, a mensagem que quero deixar ( para o coração de vocês) é: cuidado com o que você deseja,porque você pode alcançar! =)

Posted on November 18, 2015 .

O Rio que carrega a Vida ( ou: aí que a Vida acontece)

Em alguns momentos eu começo a ser povoada por sentimentos de insegurança, daqueles que fazem o coração bater mais forte e proporcionam uma sensação de não se estar no caminho certo. Sim, há essa possibilidade de você não estar na melhor direção, mas há também a possibilidade de estar na sua zona de desconforto e, em consequência, se desafiando um pouquinho mais ( logo, se sentindo exatamente desconfortável).

Há muitas coisas que são mais simples de fazer: é mais fácil estar em um emprego que não te tire da zona de conforto, que faz com que você acorde todos os dias sabendo exatamente como vai ser o seu dia ( com poucos desafios) e como você deve agir em cada pedacinho do tempo . Acho que esse emprego na verdade não existe, que essa vida não existe, mas em alguns momentos pensamos que seria tão melhor para nós se houvesse menos dificuldades, tão melhor estar em um ambiente seguro e com zero possibilidade de desconforto - ouço vozes concordando, inclusive a minha de vez em quando. Mas, aí te pergunto: quando é que a vida acontece?

Ontem assisti ao filme “ Órfãos do Eldorado”, dirigido por Guilherme Coelho e baseado na obra homônima de Milton Hatoum ( na minha opinião, um dos maiores escritores brasileiros da atualidade): o filme é incrível, me tocou muito e certamente gerará um novo texto.  Aqui, no entanto, no universo que crio para esse texto em questão o qual chamo de “O Rio que carrega a Vida ( ou: aí que a Vida acontece)”, o que quero ressaltar é a dificuldade e o desafio de se fazer um filme como  “Órfãos do Eldorado”. A história se passa no Amazonas e não só em Manaus, mas também em vilas flutuantes que existem apenas por causa do rio, em um lugar afastado de qualquer coisa que lembre algo como urbanização. Fiquei conversando comigo mesma, um pouco, enquanto assistia as cenas que tanto me marcaram quando estive de frente com o Rio Negro no ano passado: imagine a complexidade que é adaptar uma obra do Milton Hatoum, filmar na Amazônia com toda a dificuldade que isto carrega e chegar até a finalização do filme! Mas, ele ( o diretor no caso, juntamente com sua equipe) foi lá e fez, sendo que, provavelmente, o tempo de filmagem foi significativamente menor do que a etapa do planejamento.

Eu sei que não há um roteiro certo para a vida. É como se fosse um livro: mesmo quando você tem tudo esquematizado e sabe aonde você quer chegar com o seu enredo, você vai ter surpresas no caminho, você vai descobrir aspectos sobre seus personagens os quais você nem imaginava. Mas, há um ponto de direção que você almeja seguir, alcançar. Imagine se o Guilherme Coelho não tivesse dado o primeiro passo para a realização do filme? Ele não teria tido toda a experiência que teve e não carregaria no seu currículo da vida uma bela adaptação da obra de Milton Hatoum.

Então, não há que se evitar as dificuldades e incertezas do caminho, pois é aí que o não-manifesto do desejo começa a aparecer com clareza na sua frente. Mas, é importante ter uma direção e um planejamento, exercer um sentimento de devoção pelo seu caminho. Afinal, você não quer passar a vida no mesmo lugar, não é?

Posted on November 16, 2015 .

#compartilheoseumedo #shareyourfear

Esses dias eu falei sobre a coragem: eu gosto da coragem, mas em alguns momentos eu não consigo evitar ser seduzida pelo medo. Então, já que eu percebi que o medo sempre vai me acompanhar (especialmente nos momentos mais importantes), por que não torná-lo um aliado? Por que não fazer desse medo um incentivo para sair daquela situação em que eu meobrigo a ficar quietinha e estagnada aonde estou? Por que não fazemos isso juntos?  Deixa eu me explicar melhor.

Gostamos de falar em coragem, gostamos de ser corajosos. Mas, no fim, a coragem nada mais é do que a superação do medo. Sabe aquela história de dialética, de paradoxos? Não há luz sem escuridão, não há compaixão sem desamor? Pois é, pense nisso: não há coragem isolada do medo. Então, já que ele sempre vai se fazer presente, por mais que façamos de tudo para enxotá-lo da nossa frente, por que não usar o medo como combustível de vida? Se eu tenho um grande projeto e estou com medo: enfrento isso e vou conquistar o que tiver de ser conquistado. Se eu tenho medo de falar em público: vou me desafiar e me colocar em situações em que falar em público é necessário. Se eu tenho medo de ser quem eu sou: eu vou cada vez mais me aprofundar no meu vasto oceano particular para tentar chegar o mais próximo que eu consigo da essência ( e compartilhar essa essência com o mundo).

Mas, vamos refletir com mais calma, sem sair por aí se atirando de bungee jump: enfrentar o medo é diferente de ser irresponsável. Você vai se preparar todos os dias da sua vida para os seus sonhos, vai buscar todas as habilidades que você precisa para chegar aonde deseja. Negativo:  você não vai ignorar o medo real, de situações que realmente necessitam um olhar mais cuidadoso. 

É preciso começar de algum lugar ( Fernando Pessoa já nos alertou que navegar é preciso). A questão então é o outro tipo de medo. Você vai sabotar o seu medo sabotador. Sabe aquele medo chato, que toda vez que você pensa em fazer algo legal e importante te lança aquelas perguntinhas que fazem você desistir de até pensar e planejar para fazer acontecer? Pois é, eis o motivo de muitas vezes nada acontecer nas nossas vidas, uma vez que não houve nem a tentativa. É por isso mesmo que eu faço uma proposta com ar de provocação: que tal tentar uma vez por semana fazer algo que você tenha muito medo por mais que saiba que vai ser legal para você? Por exemplo: essa semana eu vou começar a dar aula como voluntária e só de pensar nisso já fico ansiosa criando infinitos roteiros de filmes na minha cabeça sobre tudo de horrível que pode acontecer (ai, esses escritores!!). Mas, estou ignorando essa vozinha chata na minha cabeça e seguindo em frente. E você, qual o seu medo? #compartilheoseumedo #shareyourfear 

Posted on November 11, 2015 .

Eu escolho a Coragem e o Frio na Barriga

Falta coragem: coragem para começar, coragem para sorrir, coragem para relaxar. Aí, de repente, sobra coragem: coragem para acreditar nos sonhos, coragem para acreditar no dia de hoje e coragem para acreditar em si mesmo. Às vezes, duvidamos de tudo: como conseguirei fazer isso? Quando que isso vai dar certo? Nunca! Mas, se você conseguir passar ileso por esse segundo desanimador e se der a chance de perceber que não é tão ruim assim como imaginava, você pode se surpreender com a surpresa que te espera ali após a esquina das dúvidas sabotadoras.

Eu sou totalmente impulsiva às vezes, como já devo ter comentado por aqui ( quero o mundo e quero agora), além de não ter muita paciência com prestações ( começo hoje e já quero chegar nas estrelas amanhã.) Mas, que saber? Agora estou aprendendo a relaxar mais, a praticar o mindfulness - ou, atenção plena no agora. Por mais utópico que isso me pareça, há algum momento em que uma fagulha se transforma e você se pega com menos preocupações, focando em uma coisa por vez e respirando fundo, porque no fim tudo dá certo ( muitas vezes, de um jeito mil vezes melhor do que poderíamos imaginar).

É engraçado: realizar uma transição na vida (transição de qualquer natureza) praticamente te obriga a ser aberto para a existência, porque, de outro jeito, você não sobreviverá. E é nesse momento que você passa a não negar mais oportunidades por medo - afinal, se caiu nas suas mãos é porque você tem que segurar. Há dias em que a insegurança é tão angustiante que você para qualquer tipo de movimento. Mas, chega um momento em que a insegurança passa a ser sua melhor amiga, e o frio na barriga por estar caindo de braços abertos na vida faz com que você esteja cada vez mais no presente. Afinal, tem tanta coisa acontecendo no mundo a todo o momento que você não vai ser louco o suficiente para perder, não é? E é aí que a magia acontece, e, quando você percebe, o que você sonha está acontecendo (este, um momento em que você se sente totalmente pleno!).

Por isso, eu te digo: se você tem um sonho que te dá a maior felicidade do mundo, ao mesmo tempo em que você sente o maior medo do mundo, fique com a coragem e o frio na barriga! Tenho certeza: estes sentimentos são o seu coração dizendo, quase implorando, para você seguir em frente.

Posted on November 9, 2015 .

As Mil e Uma Noites de Possibilidades

Em alguns momentos a ânsia pela vida é tamanha que acabamos esquecendo de viver. Eu não sei vocês, mas eu, sendo uma típica ansiosa, tenho um pouco de dificuldade de lidar com esse mundo cheio de possibilidades. Vejam bem: eu amo o fato do mundo hoje ser tão grande e ao mesmo tempo tão maravilhosamente pequeno que podemos explorar o que tivermos vontade. No entanto, ter mil possibilidades às vezes gera muita angústia.

Eu, por exemplo ( já percebi que esse texto/crônica sobrevoará a primeira pessoa): além de ansiosa, sou ariana. Daquelas que querem desbravar o mundo, fazer tudo ao mesmo tempo e ter novos projetos a cada segundo. Já pensou como é essa montanha-russa de sentimentos? Por isso que tive que me ancorar muito na meditação.

No momento que eu decidi deixar uma estrutura já mais solidificada de uma empresa e trilhar o meu próprio caminho, não tinha consciência do quanto eu ia provar do sabor delícioso e doloroso de ser o que eu sou. Porque as possibilidades são infinitas. Porque a ansiedade é infinita. Porque a incerteza é a lei do jogo, e ter muitas possibilidades pode em algum momento travar algo que deveria fluir melhor. ( É como uma pessoa com inúmeros talentos, mas que não sabe direito como aplicá-los).

E, no entanto, apesar da ansiedade, eu também não imaginaria que eu iria começar a refletir sobre os meus verdadeiros talentos, afinal, são eles que vão me proporcionar o desbravamento e a conquista dos novos caminhos ( Assim como ter uma visão de muitos talentos pode dificultar, achar que só se possui um talento único também é limitador). Eu também estou aprendendo a ser mais relaxada e deixar as coisas fluírem mais, porque cada coisa tem seu tempo e a minha ansiedade não irá ajudar em nada. Eu também estou me descobrindo uma nova pessoa, afinal passar por uma transição é ter seu segundo nascimento: sua identidade está sendo consolidada ao mesmo tempo que a transformação  segue.

Como uma ariana convicta, eu tenho muito desejo de viver e testar todas as possibilidades de transformação que mundo pode me proporcionar. No entanto, com um pouco mais de meditação e sabedoria, estou também aprendendo a ser mais paciente e menos controladora. Paciência: eis uma virtude que deveríamos praticar mais hoje em dia. A ansiedade é grande pelos novos caminhos, no entanto, o melhor é dar um passo de cada vez.

Posted on November 6, 2015 .

A Arte do Encontro

Já dizia o poetinha que a vida é a “arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” Do alto dos meus 27 anos de idade chego a pensar que a vida é puramente a arte do encontro, pois os tais desencontros são os que na verdade geram os novos encontros da vida. ( Sou dessas que acredita no Universo, pois, para mim “ Maktub”- estava escrito.)

Conforme vamos passeando pela vida começamos a ter algumas intuições: não, não viemos aqui apenas para trabalhar e nosso trabalho deve servir para algo maior ( mesmo que esse algo maior seja a nobre e necessária missão de sustentar a família, sustentar os sonhos). Mas, tudo isso só se dá através dos encontros que temos na vida: encontros com ideias, encontros com situações, encontros com pessoas. Encontros com pessoas; talvez este, o mais precioso e catalisador encontro de todos.

Porque são as pessoas que nos ensinam o verdadeiro sentido do amor, do companheirismo. Podemos passar a vida inteira achando que nos bastamos sozinhos, que não precisamos de ajuda, que não precisamos ajudar ninguém- mas aí percebemos que algo falta. Confiança: eis uma palavra que tenho aprendido a admirar. É quase um mantra de hoje em dia dizer que vivemos em um mundo competitivo e que devemos sempre ser melhores que os outros. Mas, será? Quem nos ensinou isso? Em um relacionamento ( amoroso, de amizade) confiança é a base de tudo. Você pode estar em um relacionamento amoroso fazendo joguinhos pelo simples medo de confiar, mas aí você vai perceber que você não está vivendo o relacionamento em sua completude. Ouço vozes me falando: mas já confiei tantas vezes, já quebrei a cara tantas vezes. Mas, aí eu pergunto: será que você é o santinho na história tanto quanto imagina? E se você realmente tiver dado todo o seu voto de confiança, não será a pessoa a perder por não ter também participado desse pacto de confiança? Ou será que também não é o universo conspirando para o seu verdadeiro encontro? Afinal, Maktub. Ou mesmo em situações de trabalho: você pode estar aí se achando o máximo sendo melhor que todos e que consegue cada vez mais se superar em sua grandeza. Mas, ninguém consegue fazer nada sozinho.  Não sei, não perdemos nada com a verdade e com o amor – ainda que muitas vezes possa nos parecer utópico.

Porque são as pessoas que vão nos ajudar quando precisamos e que, por consequência, desejaremos ajudar quando elas precisam. O nosso ego não é fácil, ele cria mil situações que nos faz sentir distanciados do mundo. No entanto, mais um clichê que é verdadeiro: as piores dores são os maiores crescimentos. E, nessas piores dores, pessoas vão aparecer para te ajudar e você vai se sentir tão grato que você não pode imaginar não oferecer ajuda quando o outro precisa.

Porque são com as pessoas que temos as melhores experiências. Sim, eu amo estar sozinha, ter o meu momento, mas com pessoas temos momentos maravilhosos também: viagens, risadas, conquistas, abertura de novos negócios, casamentos, filhos e mil e uma coisas que não posso nem começar a enumerar.

Eu tenho 27 anos e muita coisa ainda para aprender. Mas, eu entendi que eu vim para essa vida para compartilhar e aprender com pessoas, por isso me sinto muito feliz ao deixar essas singelas palavras para vocês (que nunca se encerram em si). Por isso poetinha, me desculpe, mas para mim, a vida é apenas a magnífica arte do encontro.

Posted on November 5, 2015 .

Cada um sabe a Dor e a Delícia de ser o que é...

Um texto começou a se formar em mim, e, de início, esse texto me proporcionou apenas uma pequena olhadinha, um olhar no buraco da fechadura ( apenas para saciar um pouco a minha curiosidade): “ cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.” Não passou disso, era como fosse um texto de uma frase só. Logo percebi que não seria possível escrever esse texto sem que antes eu colocasse no papel ( ou na tela) outro texto que também estava me rondando. Pois assim o fiz, e agora sinto que posso seguir com o primeiro - a criação tem dessas coisas.

O fato é que a criatividade exige persistência: você não pode almejar ser criativo a menos que você exerça uma devoção ao Deus da Criação. Você tem que ter disciplina, abertura e diligência. Você tem que estar aberto a novas experiências e tem que permitir desconstruir padrões pré-concebidos de pensamento. Por exemplo: um texto tem que ter começo, meio e fim. Não, não necessariamente um texto tem que ter começo meio e fim e vírgula- pensar além desse modelo pré-estruturado de narrativa pode te dar a opção de criar novos modelos, que não necessariamente resultarão em um texto sem começo-meio – fim.

Difícil de compreender? Sempre achei a criatividade e a criação deveras abstratas, mas, ao passo que vou me abrindo para elas, elas também vão me dando novas pistas – quase como um jogo de caça ao tesouro.  Para isso, temos que nos deixar brincar.

A nossa mente gosta de brincar e nós gostamos de ser encantados. Por exemplo:  fui recentemente à exposição do escritor Câmara Cascudo no Museu da Língua Portuguesa e foi como seeu tivesse adentrado um parque de exposições. Logo de cara me deparei com uma pilha de livros, que aos meus olhos formavam o labirinto mais maravilhoso que eu poderia estar! Como uma escritora apaixonada por livros, não pude evitar a falta de ar e o maravilhamento que é estar rodeada por livros. Esse era o primeiro contato do espectador com a exposição, logo atrás, havia uma seção dedicada à mobília, tema abordado por Cascudo como sendo algo afetivo que nos “ligava às nossas reminiscências familiares.” Para o autor, nada pior do que uma mobília fabricada apenas em vista com o viés utilitarista, sem que haja nenhuma história ali. E o espaço construído pela curadoria da exposição nos colocava em contato direto com esse mundo afetivo de Cascudo através da mobília: máscaras africanas, garrafas de cachaça, livros empilhados, roupas, cadeira de balanço.

Todos os outros espaços da exposição também abordavam temas de estudo do autor, sempre com uma concepção lúdica para entreter e instigar o espectador. Assim era a seção dedicada às lendas e ao folclore brasileiro, e também a parte dedicada à vasta pesquisa de Cascudo sobre a história da alimentação do Brasil. Nunca li nada do autor, mas posso dizer que saí com uma curiosidade aguçada para adentrar o quanto pudesse na sua obra. E, penso, que esse seria o papel de uma exposição: não encerrar os espectadores no tema que está sendo exposto, mas incitar um mergulho mais profundo, que gere novos universos.

E isso que, param mim, é a criatividade: geração de novos universos. E, por isso, que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, porque cada um sabe a pistaque cada infinito particular está concebendo. Eu, particularmente, acho a criatividade muito particular: claro que há técnicas e exercícios para praticar essa criatividade, mas vai de cada um entender qual que é a sua coisa, sabe? Aquilo que faz pirar. Penso na frase de Câscudo: “Compreendi a minha vida e vivo a minha vida. Não vivi a vida dos outros. Estudei o que amei. Pesquisei e discuti sobre assuntos que queria escrever. O comum é aparecer uma novidade e o sujeito largar o que está fazendo e fazer a novidade... O segredo da vida está no entendimento”. O segredo da vida está também em se permitir.

Posted on November 3, 2015 .

Como a Prática de Meditação ajuda no Dia a Dia

2015 está sendo um ano que, aparentemente, eu pedi para o cara lá em cima que colocasse muita emoção em minha vida. Não somente estou lidando com mudanças que foram minha escolha, como novas surpresas surgiram no caminho ( me sinto como um personagem de videogame: passando por desafios e superando fases para tentar conquistar o castelo!). Mas, apesar de saber que este ano está tendo uma dose extra de desafios no dia a dia, não é uma exclusividade de 2015, pois toda a vida temos(e teremos) que lidar com altos e baixos.

E é nesse momento que vamos descobrindo mais sobre nós mesmos: aquela situação que você acha que vai morrer de tanto medo e ansiedade, mas que, de repente, você se vê passando de fase. Ou então, algumas atitudes suas que são altamente tóxicas, mas que você nunca tinha parado para observar. E, aí, haja montanha para escalar e dragões para vencer!

Nesse furacão de acontecimentos que tem sido a vida ( e pelo que converso com as pessoas, todos estamos passando por diversos desafios em 2015) , eu percebi a necessidade de me desconectar da confusão para estar tranquila comigo mesma, para sempre conseguir me reorientar. Foi nesse momento que voltei para as minhas origens, voltei para casa.

Comecei a praticar yoga aos 18 anos e sempre soube da importância da meditação, sempre fui orientada a praticá-la, mas, até então, nunca tinha sentido a necessidade para isso – situação que mudou no momento que eu embarquei na montanha-russa de 2015.

Há diversos meses que venho praticando constantemente meditação e passei a indicar para todos a quem tive oportunidade, pois os benefícios são realmente diversos e perceptíveis! Por exemplo: meu foco em uma tarefa é muito mais profundo hoje em dia ( para escritor, especialmente, é muito importante conseguir essa imersão no texto) , a criatividade é maior ( por mais abstrato que isso possa parecer, eu posso perceber hoje em dia que no momento de conceber ideias eu transcendo pensamentos condicionados do ego para provocar uma catarse). E, para mim, um dos mais perceptíveis e significativos: a sensação de raiva não é como antes, é como se fosse algo superficial. Antes, quando algo me incomodava, eu me prendia totalmente à sensação ruim que aquilo me provocava, ou quando tinha discussões eu realmente ficava com raiva. Hoje não é assim, é como se a raiva só existisse por um segundo, uma ideia que eu tenho da raiva, mas ela não se concretiza totalmente, o que evita conflitos desnecessários. É curioso, por mais que meditação pareça algo totalmente abstrato, esses são benefícios comuns observados pelos praticantes: terminei ontem de ler “ O Universo Autoconsciente” do Amit Goswami, e o autor destaca esse mesmo tipo de compreensão após o início de sua prática.

Acho que quem quer se aventurar em seu infinito particular deve começar devagar ( 5 a 10 minutos diários), mas sempre mantendo constância, porque para ter os benefícios é importante transformar a atividade em hábito. Ah, outra dica que uma amiga querida me deu e eu nunca abandonei: há um aplicativo “ Sattva Meditation Timer & Tracker” que te auxilia na prática, há meditações guiadas, sons de mantras, sons de ondas e diversas situações para que você possa começar ( e manter) sua prática de meditação.

Posted on November 2, 2015 .

Sempre seremos tão Jovens..

Já sabemos da máxima: “não julgue um livro pela capa”. Sim, já sabemos. Mas, devo admitir que um livro com capa colorida e chamativa e bonita laça a minha atenção ( é a minha imaginação de criança querendo brincar). Pois bem, há uns dias que me deparo com o novo livro da Elizabeth Gilbert ( ela mesma, de “ Comer, Rezar e Amar”), o "Big Magic". E a capa é chamativa: cores fosforescentes, rosa, laranja!! Ah meu Deus!! Minha imaginação quase pira querendo ver o que é aquilo, tocar, cheirar e descobrir tudo que aquele lindo livro pode me oferecer. Depois de alguns dias apenas observando e tocando o livro, decidi ler algumas partes. E aí começa a Grande Magia dentro de mim ( ok, um pouco piegas. Mas que escritor não se vale de alguma frase piegas/clichê de vez em quando?).


Eu não terminei o livro e não foi um caso de amor fugaz. No entanto, eu não conseguia parar de ler o que tinha ali e senti meu coração vibrar diversas vezes, porque ela falou com forte intenção palavras que ressoavam muito bem em minha alma. A questão principal do livro é que todos deveríamos levar ( ou pelo menos estar abertos para isso) uma vida criativa. E por vida criativa não entenda apenas ser um artista -não, não é isso! Vida criativa, da forma que eu internalizei do que ela estava transmitindo, é eliminar os pudores da nossa mente ( você conhece bem: “ não consigo”, “ não sou boa o bastante” etc etc) e viver uma vida mais leve e que faça o nosso coração vibrar.


Simples né? Todos sabemos que ‪#‎sóquenão‬. Estamos tão preocupados com o julgamento dos outros ( que na maioria das vezes é nosso próprio julgamento), no que tal atividade vai ser útil ou quanto vamos ganhar de dinheiro com aquilo (risos), que nem permitimos que nossa imaginação brinque e possa chegar até nós. Eu, por exemplo: não sei cozinhar nada. Nada mesmo ( quando digo nada é nem arroz). Passei a vida inteira ouvindo que eu não era boa de cozinha e me apeguei a este sentimento. Mas, ultimamente, comecei a pensar: por que não tentar um dia fazer um curso? Me aventurar? Quem sabe o tipo de cozinheira que eu sou e nem mesmo tenho consciência!! Não preciso ser uma masterchef, mas só de explorar melhor esse meu lado já posso ganhar muitas coisas boas - algo que (aguarde mais um clichê), não necessariamente, envolva ganhos materiais. E isso me pego pensando também sobre tantas outras coisas: teatro, pintura, fotografia e muitas mais.


A questão é que agora eu vejo claramente o quanto eu me podei a vida inteira pensando nas infinitas coisas que eu não era boa e não conseguiria fazer. E, é claro: eu vou descobrir que várias coisas eu nem gosto e nem sirvo mesmo. Mas, por que não tentar? Não custa se aventurar e tentar.. ..A vida é tão curta, tão incrível, as possibilidades são tão infinitas. Quem sabe há uma pintora dentro de mim que eu nem dei a chance de se apresentar. E somos tão jovens..

Posted on November 2, 2015 .

O Dia que Eu descobri que Eu era meu próprio Monstro

É mais ou menos normal irmos levando a nossa vida como se o mundo nos carregasse ( faz parte do conforto quentinho de sermos eternamente filhos de alguém - filhos, no sentindo de ter alguém cuidando de tudo para que possamos viver uma vida segura e confortável). Aí, nesse mundo de desenho animado dos Ursinhos Carinhosos, somos os bondosos ursinhos lutando contra forças perversas: empregos chatos, chefes difíceis, pessoas que querem nos sabotar, pessoas invejosas e tudo mais que quisermos incluir no nosso mundo da fantasia.

Vamos levando a vida mais ou menos assim, até que ( foi o que aconteceu comigo, pelo menos), há um momento de clique que é como se mudássemos nossos óculos da realidade: não, não há mais luta entre o bem e o maligno, agora tudo está dentro de você. A questão é: quantas vezes você diz que o outro é invejoso, mas a verdade é que você quer se sentir melhor em relação a você mesmo, justificar uma perseguição pelas coisas ruins que você faz no mundo? Ou: quando você reclama do chefe que pega no seu pé, mas a realidade é que você está fazendo tudo de errado para que isso realmente aconteça?

E nessa visão de óculos novos eu percebi que o meu único inimigo sou eu mesma. O motivo disso? Eu que imponho as limitações e emano pensamentos como : "não consigo", " é tudo muito difícil" , "eu sou a vítima do mundo". Eu que julgo os outros e as situações de acordo com a minha percepção enviesada, que geralmente não me leva para um filme bom da vida. Eu que muitas vezes deixo escapar oportunidades por não me preparar tanto quanto eu deveria, ou não ter tanta fé quanto eu deveria. Eu, que acho mais confortável ficar me lamentado e atuar na posição de " Drama Queen", enquanto os outros estão fazendo o mundo girar. E é nesse momento que você faz o seu mundo girar.

Eu sempre penso no mito da Caverna de Platão: o mito conta de prisioneiros que estão presos numa caverna tendo somente a visão de uma fogueira que ilumina a tal da caverna. O contato que os prisioneiros têm com o mundo é apenas através da projeção das sombras de estátuas que representam pessoas, plantas etc.Sair da caverna é, então, descobrir um velho novo mundo. Não seria essa mesma a nossa relação com o mundo exterior? Não estamos também nos relacionando apenas com as sombras dos acontecimentos? Pois, libertar-se dessa visão, é ter um mundo mais amplo, mais real. Por isso, chega de aprisionamentos sem o menor sentido! ( E tira esses óculos aí!!) =)

 

Posted on October 26, 2015 .

Todo Dia é Dia de Índio

Eu amo o som do canto dos passarinhos. E eu amo o som do canto dos passarinhos e os passarinhos por diversos motivos: pela sua alegria inata, pela sua paz e leveza de serem quem são, pela liberdade para voar por seus caminhos da forma que desejam e pelo grandioso talento de poderem voar. Nós não podemos voar, nós fingimos que podemos voar com nossos aviões tão potentes, mas a realidade é que não voamos como os passarinhos.

Estou lendo " O Povo Brasileiro" e fico maravilhada com a narração que Darcy Ribeiro faz das comunidades indígenas que foram surpreendidas pelos europeus no fatídico dia de 22 de abril de 1500. Os portugueses, que foram recebidos pelos Tupis que abrigavam a costa litorânea do futuro Brasil, não compreendiam aquele ser tão diferente deles. Os católicos então, discutiam vivamente se eles seriam seres humanos assim como eles (??), se também teriam direito ao Reino de Deus e ao paraíso.

Acho bem curioso tudo isso, mas posso tentar compreender o choque de duas culturas como aquelas em 1500 quando se puseram um diante do outro. Mas, eu me surpreendo mais com a capacidade dos índios de viverem, realmente, no paraíso: eles sabiam (sabem) identificar todas as espécies de plantas e animais, eram gratos por tudo aquilo que lhes era proporcionado e eram  constantemente maravilhados por tudo aquilo que o belo mundo a eles oferecia. Dá para culpá-los? Muitas vezes, nós que perdemos essa capacidade do maravilhamento do mundo, nós que deveríamos olhá-los com um olhar observador e que quer captar o melhor do outro.

Nós que devemos admirar e aprender com a liberdade dos passarinhos. Nós que devemos ser como a água, que é leve e fluída e contorna seus obstáculos para seguir seu caminho. Nós que devemos amar as floresta que nos dão ar, sobrevivência, e que mostram que é necessário crescer para dentro, fincar sua raíz, mas também dialogar com o mundo exterior. Nós que devemos  respeitar mais a natureza e sermos menos arrogantes a ponto de nos considerarmos os senhores desse mundo, ou , o que é pior e mais megalomaníaco ainda, do Universo. Nós que devemos reverenciar a natureza e, quem sabe, aprender um pouco com tal atitude.

 

Posted on October 24, 2015 .

O Rei do seu Reino

Do que adianta ser:

o rei do bairro,

ou:

o rei do salão,

ou:

o rei do mundo;

 

Se você não é o rei do seu próprio Universo?

                Faço esse poema e reflito comigo mesma. Qual será a medida do sucesso? O que é o sucesso para mim? Será que estou criando o meu sucesso ou o sucesso para os outros? Na verdade, a grande sacada do sucesso está em seu coração.

                O que você quer ser quando crescer? O que você quer ser hoje? Como você quer passar o dia de hoje? O hoje é tão inconstante que quase parece uma onda quântica que não se comporta no tempo e espaço: ora o hoje está com sol, com felicidade. Ora, a nuvem começa a se aproximar e, algumas vezes, por mais que você tente fugir dela ela não sai do seu pé ( é quase um desenho animado mesmo: imagine você em desenho animado com uma corda na cintura que segura uma nuvem cinza com possibilidade de trovão, como se fosse seu bichinho de estimação: ó nuvenzinha, me responde o que você quer de mim? Me responde o que eu quero de mim?). Ás vezes nem eu mesmo sei. Mas, você está se perguntando, o que já é o começo. Tem gente que carrega a nuvem, carrega uma pedra no sapato, carrega uma bola no estômago e mesmo assim finge que não vê.  Nem mesmo todo o rei Sol para te livrar de todo esse dia cinzento. Mas você está olhando para si, algo irá iluminar =)

Posted on October 20, 2015 .